Auditoria da Comunicação
AS
PALAVRAS
“A
coisa está ruim. Está tudo esquisito. Até vaca está estranhando bezerro. (José Alencar, vice-presidente da
República no governo Lula))
REENCONTREI
MIRAN
Acho qwue foi na década de setenta do século passado
que conheci o Oswaldo Miranda, o Miran, apresentado pela Silvinha, a Sílvia
Dias de Souza, baita colunista publicitária que ainda atua em Curitiba.
Não sei quantos anos ele tinha, mas era bastante
jovem. Jovem mas muito talentoso.
“Um
baita artista gráfico”, pensei. A partir da admiração que
nasceu ali comecei a acompanhar o trabalho do Miran, através da Revista
Gráfica, que ele editava.
Com o passar dos anos, as coisas me acontecendo num
ritmo maluco, eu o perdi de vista.
Há dois anos, remexendo nos meus guardados,
encontrei alguns números da Revista, que eu guardei com carinho Fiquei, então,
com uma vontade enorme de rever aquele que eu ainda considero um grande amigo.
Mexe daqui, consulta dali, acabei conseguindo
estabelecer cu
Contado com ele. Além de matar a saudade, queria
conseguir os números da Gráfica.
“Não
tenho”, ele me disse. Agora
ela só sai de vez em quando. E quando sai, esgota-se rapidamente. Mas prometo a
você que assim que editar a próxima eu enviarei pra você. Passe-me seu
endereço.”
Passei, mas sem nenhuma ilusão de que quando isso
ocorresse ele se lembrarias de mim.
Segunda-feira passada alguém, da portaria do prédio,
me avisou pelo interfone:
“Correspondência
registrada para o senhor.”
“Depois
eu vou buscar.”
Eu tinha um monte de coisas para fazer e não dei
grande importância para o aviso. Assim o depois ficou para muito depois.
Não devia ter procrastinado tanto, porque a tal
correspondência era de fato um baita presente do Miran: um livro, editado pela
Posigráfica. A Revista Gráfica – Arte Internacional, edição dupla 83\84.
Fiquei emocionado
Ninguém, com qualquer ligação com o processo de
comunicação, pode ficar alheio a essa obra. Principalmente quem atua em Direção
de Arte. Com efeito, o livro é uma aula. Um banho de talento e bom gosto.
Como está escrito no livro Linha do Tempo do Desig
Gráfico no Brasil, da Casacnaify:
“Por
meio da Gráfica, Miran cumpriu um papel ativo no processo de atualização
cultural dos profissionais do país, num período em que o acesso à informação
não era tão fácil como viria a se tornar nas décadas seguintes.”
“Aas
Revistas Raposa e Gráfica, do Miran, são
publicações sem paralelo no período. Na Raposa, o designer paranaense publica
vários dos seus trabalhos antológicos, enquanto que na Gráfica ele coloca os
designers brasileiros em contato com o melhor do design mundial, incluindo ele
próprio.”
Agora
que reencontrei o Miran, torço para não o perder mais de vista, para que eu
possa continuar bebendo na fonte do talento dele.
Eu
e todos os que não se cansam de aprender.
Muito
obrigado, Miran.
Muito
obrigado, Posigraf e parabéns pela sua sabedoria de editar o Miran.
Muito
obrigado, Giem Guimarães, presidente\CEO da empresa, que certamente ouviu a
sugestão do Miran e me enviou essa maravilha.
GOLAÇO DA RIC
O
Grupo Ric editou a revista Floripa É. Beleza de edição. Pelo conteúdo, pelo
layout, pela oportunidade. Licença para aplaudir.
Em
pé.
DEU NA FOLHA
“A Globo já está fechando um time de quase
2.000
artistas brasileiros que se apresentarão nas 12 arenas dos Fifa Fan Fest,
durante a Copa do Mundo de 2014.”
DEU NO ESTADÃO
“Estatais paulistas respondem por metade dos gastos
do governo com propaganda.”
Imagine
parte desse dinheiro investido numa campanha ensinando respeito aos cidadãos.
ÀS AVESSAS
Segundo
Eduardo Musa, um dos responsáveis pelo gerenciamento da carreira de Neymar, “o
excesso de jogos” está prejudicando a carreira do jogador.
Provavelmente
quer mais tempo para que ele possa ser garoto de propaganda de mais marcas.
E
aqui pensando que a atividade principal do craque é jogador bola. Que
propaganda é apenas um extra.
QUE BOM!
Para
o bem de todos, Camila Pitanga desapareceu das campanhas da Caixa. Consequencia
da pressão inflacionária, segundo os entendidos. De qualquer maneira ela já
estava mesmo cansando.
Não
precisava, porém, a Caixa ter cometido o exagero de colocar essa coisa medíocre
que está sendo veiculada agora.
TUDO DE GRAÇA
Você
há de concordar comigo: a troca de Papas rendeu tremenda campanha de propaganda
para a Igreja Católica.
OUVI POR AÍ
“A Sky gasta tanto com artistas que não
sobrou dinheiro pra ela contratar uma agência criativa.”
POIS É!
Os
ventos não estão soprando a favor dos evangélicos. Primeiro aconteceu o
escândalo daquele hospital de Campinas. Agora o deputado Feliciano dá um vexame
atrás do outro.
SERÁ¿
Quando
Washington Olivetto firmou contrato com a McCann levou com ele a Bom Brill, que
o acompanha a vários anos. Só que a empresa, em uma clara demonstração de que
não gostou do novo ninho, transferiu-se de mala e cuia para a DPZ, que já a
atendeu tempos atrás.
VIROU VÍCIO
O
PSDB gostou de apanhar. Agora mesmo preparando-se para tomar uma nova surra do
PT – e se continuar assim do PSB também – está todo rachado.
CIRCULANDO NA
INTERNET
No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que
decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde)
tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de
mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um
parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona,
onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.
Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo
no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do
conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma
vez por semana.
Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar
e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade:
shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente.
Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas
vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram
incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que
beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver
aqui do que gastavam no Brasil.
Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa
cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de
segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria
dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício
próprio.
“Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe.
Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de
classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida
– mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão
fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que
“sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média
europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze
esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar
o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos.
É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no
nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra
barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles
reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo
contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o
transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter
carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais
“sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os
cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os
custos fixos e, mais leves, tornaram-se mais portáteis (este ano, por
exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse
experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria
que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de
vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu
relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress,
amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na
questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa
é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o
sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?).
Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação
auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se
tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se
transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso.
E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego
malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens
que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à
minha vida de freelancer).
“Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio)
comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro
do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para
manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não
estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex.
Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade.
Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os
europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte dosavoir
vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.
PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam
do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo
frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade.
Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da
classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade
brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um
público bem específico.
Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no
Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns
– por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a
vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites
mal-acostumadas no Brasil.
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