Pesquisar este blog

sexta-feira, 19 de abril de 2013

CAMINHOS DO MARKETING DIGITAL NO BRASIL


 

Estrela da comunicação do Século 21, o marketing digital vem experimentando mudanças rápidas e profundas a cada novo período aferido. O primeiro trimestre de 2013 mostrou que neste ano não será diferente e os especialistas buscam apontar quais as tecnologias e estratégias serão eficientes na busca de melhorar o relacionamento entre marca e consumidor.

 

Escaladas para apresentar soluções, as agências ampliarão a atividade promocional nas mídias mobile, nas mídias sociais, também em mobile, buscando ali a inovação tão desejada pelo mercado.

 

Com a ampliação dos negócios on-line, principalmente com o aumento de players – pequenas e médias empresas se interessam cada vez mais pelas redes sociais – é importante fazer coisas novas e diferentes do que já é feito hoje.

 

Pelo fato da internet ser um espaço onde uma grande ideia pode valer mais do que um grande investimento, o poder de viral na concepção da ação que será realizada é fundamental. E o ambiente mobile será o palco desta disputa pela audiência.

 

Isto porque só em 2012 foram comercializados 16 milhões de smartphones no Brasil e a expectativa é da venda de 21 milhões em 2013, além de 5 milhões de tablets. Sessenta e sete milhões de brasileiros terão acesso à internet móvel num crescimento próximo a 50%.
Este desempenho colocará o Brasil entre os cinco maiores mercados de smartphones do mundo atrás da China, Japão, EUA e Reino Unido.

 

E como ninguém quer desperdiçar este enorme potencial para ações de marketing promocional vale conferir os números da pesquisa Mobile Consumer: A Global Snapshot realizada pela Nielsen em 10 países, incluindo o Brasil.

 

Essa pesquisa sugere que os brasileiros recebem um número razoável de anúncios em seus celulares (62% dos proprietários de smartphones no Brasil recebem pelo menos um anúncio móvel em seus aparelhos todos os dias) e que são receptivos a eles.

 

Dos resultados da pesquisa, alguns dados relevantes devem ser analisados: 38% afirmaram que são mais propensos a clicar em anúncios móveis simples de texto.

Um percentual maior (41%) afirmou que é mais propenso a clicar em anúncios que incorporam elementos multimídia e 54% disseram que tendem a clicar em um anúncio móvel se essa ação não levá-los para fora do aplicativo para outro site.

44% gostam de anúncios que contêm informações geograficamente relevantes baseadas no local onde se encontram e metade dos entrevistados não têm nada contra anúncios móveis, desde que eles lhes permitam acessar conteúdo de graça.

A mesma pesquisa confirmou o que se percebe no dia a dia: 68% preferem usar aplicativos de jogos em seus smartphones, enquanto 67% preferem usar aplicativos de mídias sociais. Mapas (51%) e vídeos/filmes (45%) também são aplicativos populares.

A popularização do digital junto às camadas menos favorecidas da população com a consolidação da Classe C e a entrada definitiva da Classe D devido ao barateamento do acesso torna este negócio ainda mais interessante. Esta aceleração faz com que  o consumidor queira  ter suas respostas imediatamente, e sabe que as redes sociais são um caminho para isso.

Apesar de ainda não ser praticado em larga escala, os profissionais do setor afirmam que o tempo de resposta e de interação das marcas deve ser 24 horas, sete dias por semana, 12 meses por ano.

Além disso, o ponto de venda precisa estar conectado, permitindo um compartilhamento de tudo o que acontece no ambiente físico diretamente com as redes sociais. Para isso as empresas precisarão de ferramentas mais complexas para lidar com o enorme volume de informação disponibilizado pelos seus consumidores na web.

 

O conceito “Big Data” vem ganhando espaço nos seminários e eventos especializados, pois os profissionais do setor querem conhecer mais sobre seu funcionamento e utilização, que facilitará o SaaS (software as a service) que é a computação em nuvem, que permitirá que mais soluções em software sejam oferecidas como um serviço, onde o pagamento será pelo tempo de uso e não mais pela aquisição do produto.

 

Um dos recursos que deverá apresentar grande utilização é a Realidade Aumentada. Suas ferramentas estão mais acessíveis e o varejo deverá aproveitar esses recursos para oferecer conteúdo diferenciado ao shopper, aumentando o tempo de visitação na loja e o engajamento do consumidor.

 

Isto porque, será possível ao consumidor comprar pela internet e visualizar como a geladeira ficará no cantinho da cozinha separado pra ela, por exemplo. Isso solucionará todos os problemas de uma compra virtual e é o primeiro passo para conseguir um efeito semelhante aos cinco sentidos humanos, só que no mundo virtual.

A utilização desses recursos aumentará o tempo de visitação na loja e o engajamento do consumidor fazendo com que a compra por impulso fique um pouco de lado e seja substituída por uma compra racional, mais planejada.

Além de ampliar o tempo de navegação, pelo fato de estudar a compra e fazer simulações, o shopper também poderá já desfrutar da sua compra, antes mesmo dela chegar, vendo-as em suas simulações. Isso aumentará o engajamento e servirá para suprir a ansiedade enquanto o produto não chega.

 

O Storytelling caberá no ambiente mobile? 

 

O Storytelling - novo para a maioria das empresas – deverá ser uma das mais importantes ferramentas neste cenário. É que ninguém dispõe de tempo para consumir tanto conteúdo e tornou-se impossível prender a atenção do telespectador em apenas uma mídia.  

 

As redes sociais, principais companheiras de quem assiste programas de televisão, são o melhor caminho para que se  conte uma história sem tempo determinado e facilitam o compartilhamento e a participação do seu público. Dali ela pode ir para o cinema, prosseguir na TV, voltar para as redes sociais e terminar em um evento ou uma experiência.

 

Por tudo isso a técnica pode ser a melhor alternativa para conquistar essa atenção dedicada. Mas é importante que a história seja multifacetada, conquiste engajamento e seja de fácil compartilhamento, sendo capaz de sustentar por diversos meios em sincronia, tirando, assim, o maior proveito da história como um todo.

 


MEGA SHOWS PERDEM FÔLEGO



Alguns acontecimentos no último semestre demonstraram a instabilidade pela qual passa o mercado de shows internacionais em solo brasileiro. O assunto foi tratado na edição 2013 doAnuário Brasileiro de Marketing Promocional, lançado em janeiro, e a previsão está se confirmando. Agora tomou conta de toda a mídia e os sitesespecializados dão atenção especial ao assunto. Veja porque.


 

O cancelamento do Sónar, que faria sua segunda edição em 2013 e já tinha dez atrações confirmadas, surpreendeu a todos. A organização disse na última semana que o evento não seria realizado por “Instabilidade do mercado de entretenimento no Brasil”.

 

Junto com esta declaração outra notícia sintomática: o show do The Cure, que seria realizado no Estádio do Morumbi, está confirmado mas foi remanejado para a Arena Anhembi, com quase metade da capacidade. 

 

Os primeiros sintomas apareceram no final de 2012, quando o Festival SWU não conseguiu marcar uma nova data depois de realizar duas edições, sobretudo pela mudança de rumo na Prefeitura de Paulínia.

Procurado à época pela reportagem do Promoview, Eduardo Fischer negou-se a falar sobre a sua aventura no cenário do Showbiz. Até hoje aguarda-se a manifestação oficial da organização.

 

Ainda no final do ano passado os shows das divas pop Madonna e Lady Gaga não fizeram o sucesso esperado. Lady Gaga cantou para 50 mil pessoas em São Paulo, e Madonna para 58 mil pessoas. Foram feitas promoções de última hora, oferecendo dois ingressos pelo preço de um.

Esses problemas podem ser um reflexo da euforia que dominou o mercado de shows no País. Nos últimos dois anos, diversos festivais surgiram e poucos conseguiram se manter.

 

Dos maiores, após a realização do Lollapalooza, apenas o Rock in Rio está confirmado para 2013 – mais um lote de ingressos será colocado a venda na próxima quinta feira as 10h da manhã – mas ambos devem continuar nos próximos anos, especialmente porque o planejamento estratégico da Rede Globo pede um festival sob seu controle midiático em cada uma das principais cidades brasileiras.

 

O tradicional Planeta Terra ainda não tem endereço nem data confirmados mas, neste caso, deve-se considerar que ainda faltam sete meses para sua realização.

 

Para Roberta Medina - apontada entre As mais influentes do Marketing Promocional em 11 e 12 – responsável pelo Rock in Rio, a crise é uma soma de vários problemas. “Acho que o mercado cresceu muito rápido.

 

Agora ele vai continuar crescendo, mas talvez não tão rápido”, diz. Para a empresária, os custos de mão de obra especializada, escassa no País, e o alto cachê dos artistas contribuem para a situação complicada do mercado de grandes shows. “Infelizmente a crise mundial só não afeta o cachê dos artistas, então essa conta não fecha”, diz.

 

Entre tantas opções caras, os fãs estão concentrando suas economias em shows específicos, em festivais ou em casas menores.

“Estou pagando caro pelos ingressos porque gosto muito das bandas. Não pretendo ir a outros shows neste ano”, disse a advogada Marta Arruda Silveira, uma hipster, a persona desta edição do festival, que enlameou suas botas no piso do Lollapalooza neste final de semana para ver Queens of the Stone Age e Planet Hemp.

Enquanto os grandes eventos passam por uma crise, o circuito de apresentações menores consegue manter um bom ritmo de shows com bandas internacionais e lotação máxima.

O Cine Joia, principal reduto do rock alternativo, trouxe ídolos indie, como Grizzly Bear e Andrew Bird apenas neste ano. Três atrações do Lollapalooza (Alabama Shakes, Hot Chip e Of Monsters and Men) também vão tocar na casa.

Empresários acreditam, no entanto, que a estratégica de investir em shows de artistas específicos só funcione com nomes alternativos, que se apresentam em lugares fechados, para até cinco mil pagantes.

As apresentações de grandes estrelas da música, como Rolling Stones ou U2, talvez se tornem menos frequentes do que foram nos últimos anos, devido aos altos custos envolvidos.


“Fazer grandes shows isolados é um negócio arriscado”,
diz 
Leonardo Ganem, presidente da GEO Eventos, responsável pelo Lollapalooza, apontado entre “Os Mais Influentes do Marketing Promocional
“, pelo Promoview em 2012. Segundo ele, além da diminuição dos grandes shows isolados, os festivais, que atraem mais patrocinadores ainda têm força suficiente para se manter. “É o que acontece lá fora”, afirma Ganem. (Promoview)

CONCURSO FOTOGRAFE O BRASIL


 


As inscrições para o concurso Fotografe o Brasil, promovido pela iStockphoto e Canon, vão até o o próximo dia 1º. De acordo com Ana Cenamo, country manager da iStockphoto no Brasil, a cada dia são recebidas cerca de 500 fotos, o que demonstra o interesse dos fotógrafos brasileiros, tanto amadores quanto profissionais, pelo desafio.

 

O tema é retratar o país como ele é. Em  apenas um mês, mais de 11 mil fotos já foram enviadas. “Um dos nossos objetivos é fazer crescer o conteúdo brasileiro e descobrir novos talentos. Com a aproximação da Copa do Mundo e Olimpíadas, os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. Queremos ter um amplo acervo de imagens que fujam dos lugares-comuns”, comenta.

 

A intenção, segundo Ana, é trabalhar com a diversidade do Brasil. “Queremos ter vários olhares sobre um mesmo país, mostrando toda a diversidade cultural, religiosa, econômica e de raças”, diz Ana, acrescentando: “Queremos reunir um bom material que não seja clichê”. Com um acervo mundial de 11 milhões de fotos, o iStockphotos pretende ampliar a contribuição brasileira. “Lançamos o concurso em março e está sendo um grande sucesso”.

 

Segundo a executiva, dois mil fotógrafos já estão participando da iniciativa. “Nunca se produziu tantas imagens no mundo como está se produzindo hoje. Há uma geração de artistas que nunca teve tanta oportunidade de se expressar por meio de imagens. Isso se deu pela democratização dos meios de imagens como celulares, iPods, iPads e máquinas digitais”. Só para se ter uma ideia, segundo Andrew Delaney, diretor de desenvolvimento do conteúdo criativo da iStockphoto e da Getty Images, o Facebook recebe 174 mil fotos por minuto e um total de 250 milhões por dia.

 

O Fotografe o Brasil inaugura a nova plataforma global de concursos da iStockphoto, empresa da Getty Images. Essa nova plataforma faz o cadastramento dos artistas, a publicação dos regulamentos, o recebimento das fotos e permite sua seleção pelos jurados. Todos os anos, a Getty e suas subsidiárias promovem concursos fotográficos mundiais sob diversos temas. O Brasil é o primeiro país que está recebendo essa plataforma.

Com patrocínio de Canon, Senac, Fotografe Melhor e Abrafoto, o prêmio para o primeiro colocado no concurso é uma viagem a Nova York, com visita e orientação de portfólio com um diretor de conteúdos da Getty Images. Recebe ainda uma câmera Canon EOS 5D MarkIII com objetiva EF 24-105 IS, flash Speedlite 600Ex, mochila DeLuxe 200EG e um ingresso para o congresso Photo-ImageBrazil. O segundo lugar vai ganhar uma câmera Canon EOS 7D, com objetiva EF 24-105 F4 LIS USM e também ingresso para o PhotoImageBrazil. Já o terceiro colocado ganha uma câmera EOS Rebel T4i, com objetiva 18-135 IS STM. Do quarto ao décimo lugar, ganha-se uma mochila da Canon.

 

Todos os dez classificados participam das exposições, uma delas no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), e têm a oportunidade de se tornar colaborador da iStockphoto. Além dos eleitos pelo júri, haverá um vencedor que será indicado pelo público, que vai ganhar uma câmera Canon EOS 7D, com objetiva 18-135 IS.

Os jurados do concurso são Cristiano Burmester, presidente da Abrafoto (Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade); Javier Talavera, da Taterka Comunicações; Marcello Queiroz, do propmark; Nelson Urssi, do Senac; Sergio Branco, da revista Fotografe Melhor; Beth Watchtel, da Getty Images; André Sturm, do MIS, e Gabi Lemos, fotógrafa que já tem 83 mil seguidores no Instagram. O resultado será revelado dia 31 de maio. O regulamento está no site. (Propmark)

 OS INVISÍVEIS QUEREM SER VISTOS

(Texto de José Tadeu Arantes, distribuído pela Agência FAPESP) O resgate do pensamento dos antropólogos franceses Pierre e Hélène Clastres é uma das peças de resistência do livro O Profeta e o Principal, de Renato Sztutman, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP). 

Ponto de clivagem na reflexão antropológica, com profunda repercussão na filosofia, na sociologia e na prática política, a obra seminal do casal Clastres foi objeto de atenta releitura por parte de Sztutman em sua tese de doutorado, desenvolvida de 2001 a 2005, sob a orientação de Dominique Tilkin Gallois, com Bolsa da FAPESP. O livro, recentemente publicado também comapoio da FAPESP, é uma revisão dessa tese, que tem por objeto o material teórico relativo aos Tupi-Guarani.

“A reflexão acerca dos Guarani foi fundamental para que Pierre Clastres [1934-1977] formulasse sua concepção de sociedade contra o Estado”, afirmou Sztutman. “E o que estamos vendo hoje, 35 anos depois da morte prematura de Clastres [que faleceu aos 43 anos em um acidente automobilístico], é justamente um reflexo disso. Por se estruturarem como uma sociedade contra o Estado, os Guarani se tornaram indesejáveis para a sociedade e para o Estado hegemônicos”.

Sztutman aponta diversas características que fariam dos Guarani um desafio para o modelo de desenvolvimento dominante: “São povos que vivem em regiões que estão sendo ocupadas pelo agronegócio; que atravessam as fronteiras nacionais, transitando entre o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai; que têm uma relação com a terra completamente diferente do que se possa imaginar como sendo propriedade; que, apesar de terem líderes e saberem se organizar politicamente para a autodefesa, resistem à centralização política e à figura de um chefe central”.

Segundo o pesquisador, durante muito tempo a sociedade brasileira fez vistas grossas aos crimes cometidos contra os Guarani. “Eles estavam sendo dizimados e ninguém se importava. Hoje, uma parcela expressiva da sociedade chegou finalmente à compreensão de que é imprescindível dar direito de existência a populações que são contra o modelo hegemônico. Não podemos mais fazer vistas grossas. Temos que nos posicionar pelo direito de essas sociedades serem o que são: contra o Estado (e seu modelo desenvolvimentista), dentro de um Estado”, disse.

No Sudeste e Sul do Brasil, há Guarani em muitos locais. Na própria cidade de São Paulo, a não muitos quilômetros do marco central, na Praça da Sé, existem três aldeias guarani: duas em Parelheiros e outra próxima do Pico do Jaraguá. Mas, por ocuparem pouco espaço, estarem sempre em movimento e serem discretos no contato com a sociedade envolvente, esses Guarani se tornaram praticamente invisíveis.

“Em um texto de meados dos anos 1980, Eduardo Viveiros de Castro (antropólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro) se referiu a eles como povo imperceptível”, disse Sztutman. “Quando pensamos em índio, pensamos na Amazônia ou no passado. Mas os Guarani não estão na Amazônia nem no passado. Estão diante dos nossos olhos. E nós não os vemos.”

Conforme Sztutman, outro marco divisório, este no domínio teórico da antropologia, com repercussão na filosofia e nas ciências humanas em geral, foi estabelecido, décadas atrás, pelo livroA Sociedade contra o Estado, de Pierre Clastres. Nele, o pesquisador francês interpretou a ausência de Estado nas sociedades indígenas não como uma deficiência (algo a que elas ainda não chegaram), mas como uma rejeição (algo a que elas se opõem, por meio de mecanismos eficazes).

A partir de Clastres, o esquema clássico, calcado na experiência dos povos da Europa, deixou de ser um modelo inelutável para a interpretação da trajetória de todos os povos do mundo. O Profeta e o Principal, de Sztutman, se insere em um grande movimento de recuperação e releitura da obra de Clastres.

“Principalmente nos anos 1980, os antropólogos se afastaram muito da perspectiva clastreana, pois buscavam uma antropologia mais empírica e Clastres era considerado excessivamente filosófico: alguém que trabalhava com os dados de maneira imprecisa e chegava a grandes conclusões com base em poucas evidências. De fato, na época em que ele escreveu, décadas de 1960 e 1970, havia poucos estudos etnográficos sobre os povos amazônicos, dentre eles os de língua tupi. Porém, nas décadas seguintes, estudos importantes foram realizados. E, principalmente com o trabalho de Viveiros de Castro, começou a haver uma reaproximação da etnologia com a filosofia, mas, então, já com a possibilidade de se discutir ideias filosóficas a partir de uma grande riqueza de dados empíricos. Aí, se abriu uma brecha para a releitura dos Clastres, Pierre e Hélène”, disse Sztutman.

Sztutman, que também é pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios e do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia, considera-se um herdeiro dessa nova tendência, reconhecendo, além da contribuição de Viveiros de Castro, as influências de Márcio Goldman e Tânia Stolze Lima, do Rio de Janeiro, e de Dominique Gallois e Beatriz Perrone-Moisés, de São Paulo, com quem tem trabalhado frequentemente e que prefaciou o seu livro.

“Realizei, em 1996, um trabalho de campo entre os Wajãpi, grupo de língua tupi que habita a região do rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, perto da fronteira com a Guiana Francesa. Escrevi sobre essa experiência em minha tese de mestrado. Foi uma permanência curta, mas que originou muitas inquietações que motivaram, depois, meu doutorado”, contou Sztutman.

“Embora os Guarani sejam, hoje, o povo indígena mais populoso da América do Sul, existem também muitos povos Tupi na Amazônia. O que suscitou meu interesse pelos Tupi antigos foram os Tupi amazônicos, e não os Guarani”, afirmou.

O xamã e o guerreiro

“Meu trabalho de pesquisa se baseia na continuidade das formas indígenas de organização políticas do passado até o presente. Tento identificar, como base dessa continuidade, a relação de duas figuras importantes: a do chefe ou ‘principal’, ligado à guerra, e a do xamã ou ‘profeta’, ligado ao mundo não humano. São duas figuras ao mesmo tempo opostas e complementares”, disse Sztutman.

“ É um pouco na alternância dessas duas formas de liderança que a vida social se constitui. Mas não há um dualismo total, porque você não encontra essas figuras puras. Todo chefe de guerra é um pouco xamã; todo xamã é um pouco guerreiro. São princípios em combinação. O profeta é um grande xamã, alguém que vai além do xamanismo estrito, voltado para a cura e a feitiçaria, e lhe dá um sentido político, liderando as grandes migrações rumo à ‘terra sem mal’”, explicou.

Sztutman reconhece que seu viés é mais o do pesquisador teórico-bibliográfico do que o do pesquisador de campo. Porém considera a pesquisa de campo uma passagem obrigatória para o antropólogo.

“Uma professora que tive dizia que é muito diferente ler uma etnografia quando se teve experiência de campo. A formação do antropólogo tem que passar pelo campo, mesmo que ele descubra que a sua vocação é mais ligada ao trabalho de comparação, de análise, de sistematização ou mesmo de história intelectual, como é o meu caso”, disse.

“Voltei a campo, depois que estive com os Wajãpi. E gostaria de voltar novamente. Mas acho que a melhor contribuição que posso dar é a de cotejar as etnografias, de confrontar as teorias com os dados, e, também, de fazer um pouco da história da etnologia indígena. Acho que a etnologia indígena pode dar uma contribuição muito grande para as ciências humanas em geral”, disse Sztutman. Detalhes:  www.edusp.com.br/detlivro.asp?ID=413728

TED CHEGA AO VATICANO

(Texto de Jorge Henrique Mújica, distribuído pelo Zenit.org) - Chamaram-no de o Óscar das ideias e de Hollywood da genialidade. Conhecido por mais de 1,5 milhões de pessoas. Em breve resumo, TED é uma grande plataforma tecnológica on line a serviço das ideias.

 Plataforma  aproveitada em abril, pela primeira vez, para um grande evento TEDx (abreviação de Tecnologia, Entretenimento e Desenho; o “x” indica um tipo de licença para o uso da marca TED) sobre o tema da liberdade religiosa no mundo de hoje. O lugar? Também sem precedentes: o Estado da Cidade do Vaticano: é o "TEDx via della Conciliazione" (www.TEDxviadellaconciliazione.com).

Se TED dá espaço para as ideias positivas que o homem produz (não é à toa que seu lema é Ideas worth spreading, ou seja, Idéias que merecem ser divulgadas), TEDx via della Conciliazione dará um espaço específico a tudo de bom que a religião produz.

Para isso contará com grandes personalidade de várias partes do mundo: o astrônomo Guy Consolmagno, da Specola Vaticana; a cantora Gloria Estefan; o arquiteto americano Daniel Libeskind; o rabino-chefe de Jerusalém, David Rosen; o jogador de basquete da NBA Vlade Divac (Sérvia); a historiadora da arte Elizabeth Lev, o irmão do emir do Kuwait, entre outros (a lista pode ser vista no http://www.tedxviadellaconciliazione.com/speakers/ link).

"Este tema é importante se queremos falar de paz”, disse Giovanna Abbiati, responsável junto com o Pe. Hector Guerra LC, da organização de “TEDx via della Conciliazione”. E acrescenta: “Na sociedade secularizada os sinais religiosos estão proibidos nos lugares de trabalho, são escondidos.

 Em outros países as restrições de carácter religioso são muito altas. O Pew Researche Center informou que um terço da população mundial vive em 23 países onde as restrições do governo ou crescentes hostilidades sociais estão relacionados com a prática religiosa.

Por que temos medo da religião? Devemos temer o fundamentalismo só. O fundamentalismo é uma perversão da religião. A violência não é a religião, exercitar a violência em nome de um credo religiosos não é religião” acrescenta.

Os expositores (que seguindo o esquema TED podem falar até 18 minutos) responderão com as suas histórias a perguntas sobre a relevância da religião na sociedade contemporânea, se a religião é um fator de desenvolvimento, se a razão está aberta à transcendência, ou se a liberdade e religião são temas antitéticos; tudo isso de diferentes ângulos da vida social: desde a música ou o esporte até a arte, a astronomia, a web ou a experiência de serviço.

"Procuramos relatores que poderiam promover o diálogo e a unidade em todos os campos, a começar pela cultura. Procuramos talentos visionários em grau de mostrarmos a existência de um substrato, de ideais comuns, seja religiosas ou culturais", comenta Giovanna.

E acrescenta: "Pessoas como Shoumaya Slim, com o Museu Soumaya, ou Sheika Hussah al Salem, com o Darmuseum. A primeira mexicana, a segunda do Kuwait; ambas envolvidas na promoção da beleza religiosa por meio da arte. Dois mundos e raízes diferentes com um objetivo comum. Além do mais procuramos pessoas que mudem o mundo com a sua fé, como Alicia Vacas que desenvolve um grande trabalho na Terra Santa, e León Narváez, que está colaborando para conseguir a paz na Colômbia”.

"TEDx via della Conciliazione" apresenta-se também como uma homenagem ao Papa emérito Bento XVI, que continuando o pensamento de João Paulo II sobre a liberdade religiosa, disse: "Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é caminho privilegiado para ajudar as novas gerações a reconhecer no outro o próprio irmão e a própria irmã" (Mensagem para a XLIV Jornada Mundial da Paz 2011).

"TEDx via della Conciliazione" conta com o apoio do Pontifício Conselhor para a Cultura e acontecerá no auditório propriedade do Vaticano na via da Conciliazione no dia 19 de abril de 2013, dia em que Bento XVI teria cumprindo 8 anos do começo do seu pontificado.

O projeto TED nasceu há 26 anos nos Estados Unidos, com uma conferência anual para pessoas que tinham idéias para comunicar. O seu portal (http://www.ted.com/) é hoje em dia um dos mais visitados no mundo.

A dinâmica prevê que oradores de peso falem sobre um tema do qual seja “especialista” e que vale a pena divulgar, por não mais que 18 minutos. As exposições, que ficam gravadas, são posteriormente publicadas na internet e colocadas à disposição de um público mundial que as traduz gratuitamente a vários idiomas, de forma que milhares de pessoas a mais podem conhecer os conteúdos. Entre os oradores – speaker – que participaram do TED estão personalidades como Bill Gates, Jane Goodall, Gordon Brown, Isabel Allende ou Bono.


TRATAMENTO DE CRIANÃS COM IMUNODEFICIÊNCIA SEVERA


(Texto de Karina Toledo, distribuído pela Agência FAPESP) Para tratar uma forma rara e grave de imunodeficiência primária, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Duke, nos Estados Unidos, estão realizando experimentalmente o transplante de timo – pequeno órgão em forma de borboleta localizado perto do coração.


Os detalhes da técnica e resultados das primeiras cirurgias foram apresentados durante a 2ª Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imunodeficiências Primárias (ESPCA-PID), realizada entre os dias 3 e 8 de março com apoio da FAPESP).

Segundo a pediatra Mary Louise Markert, que coordena a equipe médica responsável pelo transplante na Duke University, o procedimento é indicado para os casos mais severos de uma doença genética conhecida como síndrome de DiGeorge, nos quais o bebê nasce sem o timo.

“O timo funciona como uma escola, onde um tipo muito importante de célula de defesa – o linfócito T – amadurece e aprende a proteger o corpo contra os patógenos. Na forma completa da síndrome de DiGeorge não há linfócitos T na corrente sanguínea do paciente, o que significa que ele está completamente vulnerável a infecções”, explicou Markert à Agência FAPESP.

Também é no timo que as células T aprendem a diferenciar os antígenos do próprio organismo e a não atacá-los. Em alguns pacientes com uma forma atípica da síndrome de DiGeorge, as células T até estão presentes no sangue, mas sem terem passado pelo treinamento no timo. Por conta disso, passam a atacar o próprio corpo causando inflamações terríveis na pele e em outros órgãos.

“Por meio de um teste sanguíneo é possível verificar se há células T circulantes e se elas expressam a proteína CD45RA – um indicador de que aquele linfócito passou pelo amadurecimento no timo. Em um bebê saudável, 70% das células T devem expressar esse marcador. Quando o exame indica 0% ou 1%, há algo muito errado com o timo, então é sinal de que aquele bebê pode se beneficiar com o transplante”, disse Markert.

A equipe nos Estados Unidos já realizou o procedimento em 64 crianças com a forma completa de DiGeorge e em outros dois portadores de uma mutação no gene Foxn1 – caracterizada pela ausência de timo e de cabelo.

“Quando um cirurgião cardíaco opera um bebê com cardiopatia congênita, precisa muitas vezes remover uma parte do timo, pois esse órgão fica bem na frente do coração e é muito grande em recém-nascidos. Em vez de descartar o tecido no lixo, eles o colocam em um copo esterilizado e me informam. Claro que isso é feito com o consentimento da família”, contou Markert.

O material doado passa então por uma bateria de exames para descartar qualquer tipo de contaminação. Em seguida, as células são cultivadas em laboratório e cortadas em fatias bem finas.

“Após duas ou três semanas, essas fatias são implantadas no músculo da coxa da criança receptora. É como plantar tulipas: o cirurgião abre um espaço entre as células musculares, coloca o tecido e tampa”, contou.

As células do timo passam a crescer na perna e os glóbulos brancos imaturos produzidos na medula óssea começam a se dirigir ao local para receber o treinamento, contou a médica. “Quando você tem a escola, os estudantes vêm. Quando tudo dá certo, quatro meses após o transplante as células T maduras já podem ser detectadas na corrente sanguínea”, disse a cientista.

Entre os pacientes operados pela equipe de Markert, sobreviveram 45 portadores da síndrome DiGeorge e os dois portadores da mutação Foxn1 operados. O tempo de sobrevida pós-transplante varia entre 2 meses e 19 anos, com média de 7,2 anos.

“Eles têm uma vida semelhante à das crianças que possuem a forma não completa da síndrome de DiGeorge, ou seja, que possuem um timo pequeno e não precisam de transplante. Eles conseguem frequentar a escola e não necessitam de imunossupressores”, contou Markert.

Ela ressalta, porém, que a síndrome de DiGeorge pode comprometer outros órgãos, como a glândula paratireoide e o coração, e esses problemas não são resolvidos com o transplante de timo.

“Durante o desenvolvimento embrionário, o timo, a paratireoide e o coração ficam todos localizados no pescoço do feto. Depois, o timo e o coração descem para o tórax e a paratireoide permanece no pescoço. Em portadores de DiGeorge alguma coisa dá errado durante a gestação e esses órgãos são afetados”, explicou Markert.

Rastreamento de recém-nascidos

Os portadores da síndrome também podem apresentar malformações faciais, renais e de vias aéreas, além de problemas neurológicos e distúrbios de linguagem e audição. Estima-se que a doença afete 1 em cada 4 mil crianças nascidas vidas. Os casos mais graves, caracterizados pela ausência completa de timo, afetam 1 em cada 200 mil bebês.

“Possivelmente o problema é mais frequente do que imaginamos. Saberemos melhor sua abrangência com os resultados dos programas de rastreamento neonatal”, disse a médica.
Alguns estados norte-americanos realizam, desde 2008, o rastreamento de recém-nascidos para a detecção de imunodeficiências primárias graves caracterizadas pela ausência de células T no sangue. O Brasil possui um projeto-piloto em São Paulo e deve começar outro no Estado de Minas Gerais no segundo semestre de 2013. Leia mais em http://agencia.fapesp.br/16932. 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário