Estrela da comunicação do Século 21, o marketing digital vem experimentando mudanças rápidas e
profundas a cada novo período aferido. O primeiro trimestre de 2013 mostrou que
neste ano não será diferente e os especialistas buscam apontar quais
as tecnologias e estratégias serão eficientes na busca de melhorar o
relacionamento entre marca e consumidor.
Escaladas para apresentar soluções, as agências ampliarão a atividade promocional nas
mídias mobile, nas mídias sociais, também em mobile, buscando ali a inovação tão desejada pelo
mercado.
Com a ampliação dos negócios on-line,
principalmente com o aumento de players –
pequenas e médias empresas se interessam cada vez mais pelas redes sociais – é importante fazer coisas novas e
diferentes do que já é feito hoje.
Pelo fato da internet ser um espaço onde
uma grande ideia pode valer mais do que um grande investimento, o poder de
viral na concepção da ação que será realizada é fundamental. E o ambiente mobile será o palco desta disputa pela audiência.
Isto porque só em 2012 foram
comercializados 16 milhões de smartphones no Brasil e a expectativa é da venda
de 21 milhões em 2013, além de 5 milhões de tablets. Sessenta e sete
milhões de brasileiros terão acesso à internet móvel num crescimento
próximo a 50%.
Este desempenho colocará o Brasil entre os cinco maiores mercados de smartphones do mundo atrás da China, Japão, EUA e Reino Unido.
Este desempenho colocará o Brasil entre os cinco maiores mercados de smartphones do mundo atrás da China, Japão, EUA e Reino Unido.
E como ninguém quer desperdiçar este enorme
potencial para ações de marketing promocional vale conferir os números da pesquisa Mobile Consumer: A Global Snapshot realizada pela Nielsen em 10 países, incluindo
o Brasil.
Essa pesquisa sugere que os brasileiros
recebem um número razoável de anúncios em seus celulares (62% dos proprietários
de smartphones no Brasil recebem pelo menos um
anúncio móvel em seus aparelhos todos os dias) e que são receptivos a eles.
Dos
resultados da pesquisa, alguns dados relevantes devem ser analisados: 38%
afirmaram que são mais propensos a clicar em anúncios móveis simples de texto.
Um
percentual maior (41%) afirmou que é mais propenso a clicar em anúncios que
incorporam elementos multimídia e 54% disseram que tendem a clicar em um
anúncio móvel se essa ação não levá-los para fora do aplicativo para outro site.
44% gostam
de anúncios que contêm informações geograficamente relevantes baseadas no local
onde se encontram e metade dos entrevistados não têm nada contra anúncios
móveis, desde que eles lhes permitam acessar conteúdo de graça.
A mesma pesquisa confirmou o que se
percebe no dia a dia: 68% preferem usar aplicativos de jogos em seus smartphones,
enquanto 67% preferem usar aplicativos de mídias sociais. Mapas (51%) e
vídeos/filmes (45%) também são aplicativos populares.
A
popularização do digital junto às camadas menos favorecidas da população com a
consolidação da Classe C e a entrada definitiva da Classe D devido ao
barateamento do acesso torna este negócio ainda mais interessante. Esta
aceleração faz com que o consumidor queira ter suas respostas imediatamente,
e sabe que as redes sociais são um caminho para isso.
Apesar de
ainda não ser praticado em larga escala, os profissionais do setor afirmam que
o tempo de resposta e de interação das marcas deve ser 24 horas, sete dias por
semana, 12 meses por ano.
Além disso, o ponto de venda precisa estar conectado, permitindo um
compartilhamento de tudo o que acontece no ambiente físico diretamente com as
redes sociais. Para isso as empresas precisarão de ferramentas mais complexas
para lidar com o enorme volume de informação disponibilizado pelos seus
consumidores na web.
O conceito “Big Data” vem ganhando espaço
nos seminários e eventos especializados, pois os profissionais do
setor querem conhecer mais sobre seu funcionamento e utilização, que facilitará
o SaaS (software as a service) que é a computação em nuvem, que permitirá que
mais soluções em software sejam
oferecidas como um serviço, onde o pagamento será pelo tempo de uso e não mais
pela aquisição do produto.
Um dos recursos que deverá apresentar
grande utilização é a Realidade Aumentada. Suas ferramentas estão mais acessíveis e
o varejo deverá aproveitar esses recursos para oferecer conteúdo diferenciado
ao shopper, aumentando
o tempo de visitação na loja e o engajamento do consumidor.
Isto porque, será possível ao consumidor comprar pela internet e visualizar como a geladeira ficará no
cantinho da cozinha separado pra ela, por exemplo. Isso solucionará todos os
problemas de uma compra virtual e é o primeiro passo para conseguir um efeito
semelhante aos cinco sentidos humanos, só que no mundo virtual.
A utilização
desses recursos aumentará o tempo de visitação na loja e o engajamento do
consumidor fazendo com que a compra por impulso fique um pouco de lado e seja
substituída por uma compra racional, mais planejada.
Além de ampliar o tempo de navegação, pelo
fato de estudar a compra e fazer simulações, o shopper também poderá já desfrutar da sua
compra, antes mesmo dela chegar, vendo-as em suas simulações. Isso aumentará o
engajamento e servirá para suprir a ansiedade enquanto o produto não chega.
O Storytelling caberá no ambiente mobile?
O Storytelling - novo
para a maioria das empresas – deverá ser uma das mais importantes ferramentas
neste cenário. É que ninguém dispõe de tempo para consumir tanto
conteúdo e tornou-se impossível prender a atenção do telespectador em apenas
uma mídia.
As redes sociais, principais companheiras de
quem assiste programas de televisão, são o melhor caminho para que se
conte uma história sem tempo determinado e facilitam o compartilhamento e
a participação do seu público. Dali ela pode ir para o cinema, prosseguir na
TV, voltar para as redes sociais e terminar em um evento ou uma experiência.
Por tudo isso a técnica pode ser a melhor
alternativa para conquistar essa atenção dedicada. Mas é importante que a
história seja multifacetada, conquiste engajamento e seja de fácil
compartilhamento, sendo capaz de sustentar por diversos meios em sincronia,
tirando, assim, o maior proveito da história como um todo.
MEGA SHOWS PERDEM FÔLEGO
Alguns acontecimentos
no último semestre demonstraram a instabilidade pela qual passa o mercado de
shows internacionais em solo brasileiro. O
assunto foi tratado na edição 2013 doAnuário Brasileiro de
Marketing Promocional, lançado
em janeiro, e a previsão está se confirmando. Agora tomou conta de toda a mídia
e os sitesespecializados dão atenção especial ao assunto.
Veja porque.
O cancelamento do Sónar, que faria sua
segunda edição em 2013 e já tinha dez atrações confirmadas, surpreendeu a
todos. A organização disse na última semana que o evento não seria realizado por
“Instabilidade do mercado de entretenimento no Brasil”.
Junto com esta
declaração outra notícia sintomática: o show do The Cure, que seria realizado
no Estádio do Morumbi, está confirmado mas
foi remanejado para a Arena Anhembi, com quase metade da capacidade.
Os primeiros
sintomas apareceram no final de 2012, quando o Festival SWU não conseguiu
marcar uma nova data depois de realizar duas edições, sobretudo pela mudança de
rumo na Prefeitura de Paulínia.
Procurado à
época pela reportagem do Promoview, Eduardo Fischer
negou-se a falar sobre a sua aventura no cenário do Showbiz. Até hoje aguarda-se a manifestação oficial da
organização.
Ainda no final do ano
passado os shows das divas pop Madonna e Lady Gaga não fizeram o sucesso
esperado. Lady Gaga cantou para 50 mil pessoas em São Paulo, e Madonna para 58
mil pessoas. Foram feitas promoções de última hora, oferecendo dois ingressos
pelo preço de um.
Esses problemas
podem ser um reflexo da euforia que dominou o mercado de shows no País. Nos
últimos dois anos, diversos festivais surgiram e poucos conseguiram se manter.
Dos maiores, após
a realização do Lollapalooza, apenas o Rock in Rio está
confirmado para 2013 – mais um lote de ingressos será colocado a venda na
próxima quinta feira as 10h da manhã – mas ambos devem continuar nos
próximos anos, especialmente porque o planejamento estratégico da Rede Globo
pede um festival sob seu controle midiático em cada uma das principais cidades
brasileiras.
O tradicional Planeta Terra ainda não tem
endereço nem data confirmados mas, neste caso, deve-se considerar que ainda
faltam sete meses para sua realização.
Para Roberta Medina - apontada entre As mais influentes do
Marketing Promocional em 11 e 12 – responsável pelo Rock in
Rio, a crise é uma soma de vários problemas. “Acho que o mercado cresceu muito
rápido.
Agora ele vai
continuar crescendo, mas talvez não tão rápido”, diz. Para a empresária,
os custos de mão de obra especializada, escassa no País, e o alto cachê dos
artistas contribuem para a situação complicada do mercado de grandes shows.
“Infelizmente a crise mundial só não afeta o cachê dos artistas, então essa
conta não fecha”, diz.
Entre tantas
opções caras, os fãs estão concentrando suas economias em shows específicos, em
festivais ou em casas menores.
“Estou pagando caro pelos ingressos porque gosto muito das
bandas. Não pretendo ir a outros shows neste ano”, disse a advogada Marta
Arruda Silveira, uma hipster, a persona desta edição do festival, que enlameou
suas botas no piso do Lollapalooza neste final de semana para ver Queens of the
Stone Age e Planet Hemp.
Enquanto os grandes eventos passam por uma crise, o circuito de
apresentações menores consegue manter um bom ritmo de shows com bandas
internacionais e lotação máxima.
O Cine Joia, principal reduto do rock alternativo, trouxe
ídolos indie, como Grizzly Bear e Andrew Bird apenas neste ano. Três atrações
do Lollapalooza (Alabama Shakes, Hot Chip e Of Monsters and Men) também vão
tocar na casa.
Empresários
acreditam, no entanto, que a estratégica de investir em shows de artistas
específicos só funcione com nomes alternativos, que se apresentam em lugares
fechados, para até cinco mil pagantes.
As
apresentações de grandes estrelas da música, como Rolling Stones ou U2, talvez
se tornem menos frequentes do que foram nos últimos anos, devido aos altos
custos envolvidos.
“Fazer
grandes shows isolados é um negócio arriscado”,
diz Leonardo Ganem, presidente da GEO Eventos, responsável pelo Lollapalooza, apontado entre “Os Mais Influentes do Marketing Promocional“, pelo Promoview em 2012. Segundo ele, além da diminuição dos grandes shows isolados, os festivais, que atraem mais patrocinadores ainda têm força suficiente para se manter. “É o que acontece lá fora”, afirma Ganem. (Promoview)
diz Leonardo Ganem, presidente da GEO Eventos, responsável pelo Lollapalooza, apontado entre “Os Mais Influentes do Marketing Promocional“, pelo Promoview em 2012. Segundo ele, além da diminuição dos grandes shows isolados, os festivais, que atraem mais patrocinadores ainda têm força suficiente para se manter. “É o que acontece lá fora”, afirma Ganem. (Promoview)
CONCURSO FOTOGRAFE O BRASIL
As inscrições para o concurso Fotografe
o Brasil, promovido pela iStockphoto e Canon, vão até o o próximo dia 1º. De
acordo com Ana Cenamo, country manager da iStockphoto no Brasil, a cada dia são
recebidas cerca de 500 fotos, o que demonstra o interesse dos fotógrafos
brasileiros, tanto amadores quanto profissionais, pelo desafio.
O tema é retratar o país como ele é. Em
apenas um mês, mais de 11 mil fotos já foram enviadas. “Um dos nossos
objetivos é fazer crescer o conteúdo brasileiro e descobrir novos talentos. Com
a aproximação da Copa do Mundo e Olimpíadas, os olhos do mundo estarão voltados
para o Brasil. Queremos ter um amplo acervo de imagens que fujam dos
lugares-comuns”, comenta.
A intenção, segundo Ana, é trabalhar com
a diversidade do Brasil. “Queremos ter vários olhares sobre um mesmo país,
mostrando toda a diversidade cultural, religiosa, econômica e de raças”, diz
Ana, acrescentando: “Queremos reunir um bom material que não seja
clichê”. Com um acervo mundial de 11 milhões de fotos, o iStockphotos
pretende ampliar a contribuição brasileira. “Lançamos o concurso em março e
está sendo um grande sucesso”.
Segundo a executiva, dois mil fotógrafos
já estão participando da iniciativa. “Nunca
se produziu tantas imagens no mundo como está se produzindo hoje. Há uma
geração de artistas que nunca teve tanta oportunidade de se expressar por meio
de imagens. Isso se deu pela democratização dos meios de imagens como
celulares, iPods, iPads e máquinas digitais”. Só para se ter uma ideia, segundo
Andrew Delaney, diretor de desenvolvimento do conteúdo criativo da iStockphoto
e da Getty Images, o Facebook recebe 174 mil fotos por minuto e um total de 250
milhões por dia.
O
Fotografe o Brasil inaugura a nova plataforma global de concursos da
iStockphoto, empresa da Getty Images. Essa nova plataforma faz o cadastramento
dos artistas, a publicação dos regulamentos, o recebimento das fotos e permite
sua seleção pelos jurados. Todos os anos, a Getty e suas subsidiárias promovem
concursos fotográficos mundiais sob diversos temas. O Brasil é o primeiro país
que está recebendo essa plataforma.
Com patrocínio de Canon, Senac,
Fotografe Melhor e Abrafoto, o prêmio para o primeiro colocado no concurso é
uma viagem a Nova York, com visita e orientação de portfólio com um diretor de
conteúdos da Getty Images. Recebe ainda uma câmera Canon EOS 5D MarkIII com
objetiva EF 24-105 IS, flash Speedlite 600Ex, mochila DeLuxe 200EG e um
ingresso para o congresso Photo-ImageBrazil. O segundo lugar vai ganhar uma
câmera Canon EOS 7D, com objetiva EF 24-105 F4 LIS USM e também ingresso para o
PhotoImageBrazil. Já o terceiro colocado ganha uma câmera EOS Rebel T4i, com
objetiva 18-135 IS STM. Do quarto ao décimo lugar, ganha-se uma mochila da
Canon.
Todos os
dez classificados participam das exposições, uma delas no MIS (Museu da Imagem
e do Som de São Paulo), e têm a oportunidade de se tornar colaborador da
iStockphoto. Além dos eleitos pelo júri, haverá um vencedor que será indicado
pelo público, que vai ganhar uma câmera Canon EOS 7D, com objetiva 18-135 IS.
Os jurados do concurso são Cristiano
Burmester, presidente da Abrafoto (Associação Brasileira dos Fotógrafos de
Publicidade); Javier Talavera, da Taterka Comunicações; Marcello Queiroz, do propmark; Nelson Urssi,
do Senac; Sergio Branco, da revista Fotografe Melhor; Beth Watchtel, da Getty
Images; André Sturm, do MIS, e Gabi Lemos, fotógrafa que já tem 83 mil
seguidores no Instagram. O resultado será revelado dia 31 de maio. O
regulamento está no site. (Propmark)
OS INVISÍVEIS QUEREM SER VISTOS
(Texto de José Tadeu Arantes, distribuído pela Agência
FAPESP) – O resgate do pensamento dos antropólogos
franceses Pierre e Hélène Clastres é uma das peças de resistência do livro O Profeta e o Principal, de
Renato Sztutman, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de
São Paulo (USP).
Ponto de
clivagem na reflexão antropológica, com profunda repercussão na filosofia, na
sociologia e na prática política, a obra seminal do casal Clastres foi objeto
de atenta releitura por parte de Sztutman em sua tese de doutorado,
desenvolvida de 2001 a 2005, sob a orientação de Dominique Tilkin Gallois,
com Bolsa da FAPESP. O livro, recentemente publicado também
comapoio da FAPESP, é uma revisão dessa tese, que tem por
objeto o material teórico relativo aos Tupi-Guarani.
“A reflexão
acerca dos Guarani foi fundamental para que Pierre Clastres [1934-1977]
formulasse sua concepção de sociedade contra o Estado”, afirmou Sztutman. “E o
que estamos vendo hoje, 35 anos depois da morte prematura de Clastres [que
faleceu aos 43 anos em um acidente automobilístico], é justamente um reflexo
disso. Por se estruturarem como uma sociedade contra o Estado, os Guarani se
tornaram indesejáveis para a sociedade e para o Estado hegemônicos”.
Sztutman
aponta diversas características que fariam dos Guarani um desafio para o modelo
de desenvolvimento dominante: “São povos que vivem em regiões que estão sendo
ocupadas pelo agronegócio; que atravessam as fronteiras nacionais, transitando
entre o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai; que têm uma relação com a
terra completamente diferente do que se possa imaginar como sendo propriedade;
que, apesar de terem líderes e saberem se organizar politicamente para a
autodefesa, resistem à centralização política e à figura de um chefe central”.
Segundo o
pesquisador, durante muito tempo a sociedade brasileira fez vistas grossas aos
crimes cometidos contra os Guarani. “Eles estavam sendo dizimados e ninguém se
importava. Hoje, uma parcela expressiva da sociedade chegou finalmente à
compreensão de que é imprescindível dar direito de existência a populações que
são contra o modelo hegemônico. Não podemos mais fazer vistas grossas. Temos
que nos posicionar pelo direito de essas sociedades serem o que são: contra o
Estado (e seu modelo desenvolvimentista), dentro de um Estado”, disse.
No Sudeste
e Sul do Brasil, há Guarani em muitos locais. Na própria cidade de São Paulo, a
não muitos quilômetros do marco central, na Praça da Sé, existem três aldeias
guarani: duas em Parelheiros e outra próxima do Pico do Jaraguá. Mas, por
ocuparem pouco espaço, estarem sempre em movimento e serem discretos no contato
com a sociedade envolvente, esses Guarani se tornaram praticamente invisíveis.
“Em um
texto de meados dos anos 1980, Eduardo Viveiros de Castro (antropólogo e
professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro) se referiu a eles como
povo imperceptível”, disse Sztutman. “Quando pensamos em índio, pensamos na
Amazônia ou no passado. Mas os Guarani não estão na Amazônia nem no passado.
Estão diante dos nossos olhos. E nós não os vemos.”
Conforme
Sztutman, outro marco divisório, este no domínio teórico da antropologia, com
repercussão na filosofia e nas ciências humanas em geral, foi estabelecido,
décadas atrás, pelo livroA Sociedade contra o Estado, de Pierre
Clastres. Nele, o pesquisador francês interpretou a ausência de Estado nas
sociedades indígenas não como uma deficiência (algo a que elas ainda não
chegaram), mas como uma rejeição (algo a que elas se opõem, por meio de
mecanismos eficazes).
A partir de
Clastres, o esquema clássico, calcado na experiência dos povos da Europa,
deixou de ser um modelo inelutável para a interpretação da trajetória de todos
os povos do mundo. O Profeta e
o Principal, de Sztutman, se insere em um grande movimento de recuperação e
releitura da obra de Clastres.
“Principalmente
nos anos 1980, os antropólogos se afastaram muito da perspectiva clastreana,
pois buscavam uma antropologia mais empírica e Clastres era considerado
excessivamente filosófico: alguém que trabalhava com os dados de maneira
imprecisa e chegava a grandes conclusões com base em poucas evidências. De
fato, na época em que ele escreveu, décadas de 1960 e 1970, havia poucos
estudos etnográficos sobre os povos amazônicos, dentre eles os de língua tupi.
Porém, nas décadas seguintes, estudos importantes foram realizados. E,
principalmente com o trabalho de Viveiros de Castro, começou a haver uma
reaproximação da etnologia com a filosofia, mas, então, já com a possibilidade
de se discutir ideias filosóficas a partir de uma grande riqueza de dados empíricos.
Aí, se abriu uma brecha para a releitura dos Clastres, Pierre e Hélène”, disse
Sztutman.
Sztutman,
que também é pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios e do Laboratório de
Imagem e Som em Antropologia, considera-se um herdeiro dessa nova tendência,
reconhecendo, além da contribuição de Viveiros de Castro, as influências de
Márcio Goldman e Tânia Stolze Lima, do Rio de Janeiro, e de Dominique Gallois e
Beatriz Perrone-Moisés, de São Paulo, com quem tem trabalhado frequentemente e
que prefaciou o seu livro.
“Realizei,
em 1996, um trabalho de campo entre os Wajãpi, grupo de língua tupi que habita
a região do rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, perto da fronteira com a
Guiana Francesa. Escrevi sobre essa experiência em minha tese de mestrado. Foi uma
permanência curta, mas que originou muitas inquietações que motivaram, depois,
meu doutorado”, contou Sztutman.
“Embora os
Guarani sejam, hoje, o povo indígena mais populoso da América do Sul, existem
também muitos povos Tupi na Amazônia. O que suscitou meu interesse pelos Tupi
antigos foram os Tupi amazônicos, e não os Guarani”, afirmou.
O xamã e
o guerreiro
“Meu
trabalho de pesquisa se baseia na continuidade das formas indígenas de
organização políticas do passado até o presente. Tento identificar, como base
dessa continuidade, a relação de duas figuras importantes: a do chefe ou
‘principal’, ligado à guerra, e a do xamã ou ‘profeta’, ligado ao mundo não
humano. São duas figuras ao mesmo tempo opostas e complementares”, disse
Sztutman.
“ É um
pouco na alternância dessas duas formas de liderança que a vida social se
constitui. Mas não há um dualismo total, porque você não encontra essas figuras
puras. Todo chefe de guerra é um pouco xamã; todo xamã é um pouco guerreiro.
São princípios em combinação. O profeta é um grande xamã, alguém que vai além
do xamanismo estrito, voltado para a cura e a feitiçaria, e lhe dá um sentido
político, liderando as grandes migrações rumo à ‘terra sem mal’”, explicou.
Sztutman
reconhece que seu viés é mais o do pesquisador teórico-bibliográfico do que o
do pesquisador de campo. Porém considera a pesquisa de campo uma passagem
obrigatória para o antropólogo.
“Uma
professora que tive dizia que é muito diferente ler uma etnografia quando se
teve experiência de campo. A formação do antropólogo tem que passar pelo campo,
mesmo que ele descubra que a sua vocação é mais ligada ao trabalho de
comparação, de análise, de sistematização ou mesmo de história intelectual,
como é o meu caso”, disse.
“Voltei a
campo, depois que estive com os Wajãpi. E gostaria de voltar novamente. Mas
acho que a melhor contribuição que posso dar é a de cotejar as etnografias, de
confrontar as teorias com os dados, e, também, de fazer um pouco da história da
etnologia indígena. Acho que a etnologia indígena pode dar uma contribuição
muito grande para as ciências humanas em geral”, disse Sztutman. Detalhes: www.edusp.com.br/detlivro.asp?ID=413728
TED CHEGA AO VATICANO
(Texto de Jorge Henrique Mújica,
distribuído pelo Zenit.org)
- Chamaram-no de o Óscar
das ideias e de Hollywood da genialidade. Conhecido por mais de 1,5 milhões de
pessoas. Em breve resumo, TED é uma grande plataforma tecnológica on line a
serviço das ideias.
Plataforma aproveitada em abril, pela primeira vez, para
um grande evento TEDx (abreviação de Tecnologia, Entretenimento e Desenho; o
“x” indica um tipo de licença para o uso da marca TED) sobre o tema da
liberdade religiosa no mundo de hoje. O lugar? Também sem precedentes: o Estado
da Cidade do Vaticano: é o "TEDx via della Conciliazione" (www.TEDxviadellaconciliazione.com).
Se TED
dá espaço para as ideias positivas que o homem produz (não é à toa que seu lema
é Ideas worth spreading, ou seja, Idéias que merecem ser divulgadas), TEDx via
della Conciliazione dará um espaço específico a tudo de bom que a religião
produz.
Para
isso contará com grandes personalidade de várias partes do mundo: o astrônomo
Guy Consolmagno, da Specola Vaticana; a cantora Gloria Estefan; o arquiteto
americano Daniel Libeskind; o rabino-chefe de Jerusalém, David Rosen; o jogador
de basquete da NBA Vlade Divac (Sérvia); a historiadora da arte Elizabeth Lev,
o irmão do emir do Kuwait, entre outros (a lista pode ser vista no http://www.tedxviadellaconciliazione.com/speakers/ link).
"Este
tema é importante se queremos falar de paz”, disse Giovanna Abbiati,
responsável junto com o Pe. Hector Guerra LC, da organização de “TEDx via della
Conciliazione”. E acrescenta: “Na sociedade secularizada os sinais religiosos
estão proibidos nos lugares de trabalho, são escondidos.
Em outros países as restrições de carácter
religioso são muito altas. O Pew Researche Center informou que um terço da
população mundial vive em 23 países onde as restrições do governo ou crescentes
hostilidades sociais estão relacionados com a prática religiosa.
Por
que temos medo da religião? Devemos temer o fundamentalismo só. O
fundamentalismo é uma perversão da religião. A violência não é a religião,
exercitar a violência em nome de um credo religiosos não é religião”
acrescenta.
Os
expositores (que seguindo o esquema TED podem falar até 18 minutos) responderão
com as suas histórias a perguntas sobre a relevância da religião na sociedade
contemporânea, se a religião é um fator de desenvolvimento, se a razão está
aberta à transcendência, ou se a liberdade e religião são temas antitéticos;
tudo isso de diferentes ângulos da vida social: desde a música ou o esporte até
a arte, a astronomia, a web ou a experiência de serviço.
"Procuramos
relatores que poderiam promover o diálogo e a unidade em todos os campos, a
começar pela cultura. Procuramos talentos visionários em grau de mostrarmos a
existência de um substrato, de ideais comuns, seja religiosas ou
culturais", comenta Giovanna.
E
acrescenta: "Pessoas como Shoumaya Slim, com o Museu Soumaya, ou Sheika
Hussah al Salem, com o Darmuseum. A primeira mexicana, a segunda do Kuwait;
ambas envolvidas na promoção da beleza religiosa por meio da arte. Dois mundos
e raízes diferentes com um objetivo comum. Além do mais procuramos pessoas que
mudem o mundo com a sua fé, como Alicia Vacas que desenvolve um grande trabalho
na Terra Santa, e León Narváez, que está colaborando para conseguir a paz na
Colômbia”.
"TEDx
via della Conciliazione" apresenta-se também como uma homenagem ao Papa
emérito Bento XVI, que continuando o pensamento de João Paulo II sobre a
liberdade religiosa, disse: "Se a liberdade religiosa é caminho para a
paz, a educação religiosa é caminho privilegiado para ajudar as novas gerações
a reconhecer no outro o próprio irmão e a própria irmã" (Mensagem para a
XLIV Jornada Mundial da Paz 2011).
"TEDx
via della Conciliazione" conta com o apoio do Pontifício Conselhor para a
Cultura e acontecerá no auditório propriedade do Vaticano na via da
Conciliazione no dia 19 de abril de 2013, dia em que Bento XVI teria cumprindo
8 anos do começo do seu pontificado.
O
projeto TED nasceu há 26 anos nos Estados Unidos, com uma conferência anual
para pessoas que tinham idéias para comunicar. O seu portal (http://www.ted.com/) é hoje em dia um dos mais visitados no
mundo.
A
dinâmica prevê que oradores de peso falem sobre um tema do qual seja
“especialista” e que vale a pena divulgar, por não mais que 18 minutos. As
exposições, que ficam gravadas, são posteriormente publicadas na internet e
colocadas à disposição de um público mundial que as traduz gratuitamente a
vários idiomas, de forma que milhares de pessoas a mais podem conhecer os
conteúdos. Entre os oradores – speaker – que participaram do TED estão
personalidades como Bill Gates, Jane Goodall, Gordon Brown, Isabel Allende ou
Bono.
Mais
informações sobre TEDx via della Conciliazione pode ser encontrado no http://www.tedxviadellaconciliazione.com. Ingressos: http://www.tedxviadellaconciliazione.com/tickets/. Programa: http://www.tedxviadellaconciliazione.com/program/. Facebook: https://www.facebook.com/tedxviadellaconciliazione. Twitter: https://twitter.com/TEDxVDC. YouTube: http://www.youtube.com/TEDxVdC.
TRATAMENTO DE CRIANÃS COM
IMUNODEFICIÊNCIA SEVERA
(Texto de Karina Toledo, distribuído
pela Agência FAPESP) – Para tratar uma forma rara e grave de
imunodeficiência primária, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Duke,
nos Estados Unidos, estão realizando experimentalmente o transplante de timo –
pequeno órgão em forma de borboleta localizado perto do coração.
Os detalhes
da técnica e resultados das primeiras cirurgias foram apresentados durante a 2ª
Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imunodeficiências Primárias (ESPCA-PID), realizada entre os dias 3 e 8 de março
com apoio da FAPESP).
Segundo a
pediatra Mary Louise Markert, que coordena a equipe médica responsável pelo
transplante na Duke University, o procedimento é indicado para os casos mais
severos de uma doença genética conhecida como síndrome de DiGeorge, nos quais o
bebê nasce sem o timo.
“O timo
funciona como uma escola, onde um tipo muito importante de célula de defesa – o
linfócito T – amadurece e aprende a proteger o corpo contra os patógenos. Na
forma completa da síndrome de DiGeorge não há linfócitos T na corrente
sanguínea do paciente, o que significa que ele está completamente vulnerável a
infecções”, explicou Markert à Agência
FAPESP.
Também é no
timo que as células T aprendem a diferenciar os antígenos do próprio organismo
e a não atacá-los. Em alguns pacientes com uma forma atípica da síndrome de
DiGeorge, as células T até estão presentes no sangue, mas sem terem passado
pelo treinamento no timo. Por conta disso, passam a atacar o próprio corpo
causando inflamações terríveis na pele e em outros órgãos.
“Por meio
de um teste sanguíneo é possível verificar se há células T circulantes e se
elas expressam a proteína CD45RA – um indicador de que aquele linfócito passou
pelo amadurecimento no timo. Em um bebê saudável, 70% das células T devem
expressar esse marcador. Quando o exame indica 0% ou 1%, há algo muito errado
com o timo, então é sinal de que aquele bebê pode se beneficiar com o transplante”,
disse Markert.
A equipe
nos Estados Unidos já realizou o procedimento em 64 crianças com a forma
completa de DiGeorge e em outros dois portadores de uma mutação no gene Foxn1 –
caracterizada pela ausência de timo e de cabelo.
“Quando um
cirurgião cardíaco opera um bebê com cardiopatia congênita, precisa muitas
vezes remover uma parte do timo, pois esse órgão fica bem na frente do coração
e é muito grande em recém-nascidos. Em vez de descartar o tecido no lixo, eles
o colocam em um copo esterilizado e me informam. Claro que isso é feito com o
consentimento da família”, contou Markert.
O material
doado passa então por uma bateria de exames para descartar qualquer tipo de
contaminação. Em seguida, as células são cultivadas em laboratório e cortadas
em fatias bem finas.
“Após duas
ou três semanas, essas fatias são implantadas no músculo da coxa da criança
receptora. É como plantar tulipas: o cirurgião abre um espaço entre as células
musculares, coloca o tecido e tampa”, contou.
As células
do timo passam a crescer na perna e os glóbulos brancos imaturos produzidos na
medula óssea começam a se dirigir ao local para receber o treinamento, contou a
médica. “Quando você tem a escola, os estudantes vêm. Quando tudo dá certo,
quatro meses após o transplante as células T maduras já podem ser detectadas na
corrente sanguínea”, disse a cientista.
Entre os
pacientes operados pela equipe de Markert, sobreviveram 45 portadores da
síndrome DiGeorge e os dois portadores da mutação Foxn1 operados. O tempo de
sobrevida pós-transplante varia entre 2 meses e 19 anos, com média de 7,2 anos.
“Eles têm
uma vida semelhante à das crianças que possuem a forma não completa da síndrome
de DiGeorge, ou seja, que possuem um timo pequeno e não precisam de
transplante. Eles conseguem frequentar a escola e não necessitam de
imunossupressores”, contou Markert.
Ela
ressalta, porém, que a síndrome de DiGeorge pode comprometer outros órgãos,
como a glândula paratireoide e o coração, e esses problemas não são resolvidos
com o transplante de timo.
“Durante o
desenvolvimento embrionário, o timo, a paratireoide e o coração ficam todos
localizados no pescoço do feto. Depois, o timo e o coração descem para o tórax
e a paratireoide permanece no pescoço. Em portadores de DiGeorge alguma coisa
dá errado durante a gestação e esses órgãos são afetados”, explicou Markert.
Rastreamento
de recém-nascidos
Os
portadores da síndrome também podem apresentar malformações faciais, renais e
de vias aéreas, além de problemas neurológicos e distúrbios de linguagem e
audição. Estima-se que a doença afete 1 em cada 4 mil crianças nascidas vidas.
Os casos mais graves, caracterizados pela ausência completa de timo, afetam 1
em cada 200 mil bebês.
“Possivelmente
o problema é mais frequente do que imaginamos. Saberemos melhor sua abrangência
com os resultados dos programas de rastreamento neonatal”, disse a médica.
Alguns estados norte-americanos realizam, desde
2008, o rastreamento de recém-nascidos para a detecção de imunodeficiências
primárias graves caracterizadas pela ausência de células T no sangue. O Brasil
possui um projeto-piloto em São Paulo e deve começar outro no Estado de Minas
Gerais no segundo semestre de 2013. Leia mais em http://agencia.fapesp.br/16932.
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