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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CRISTO REDENTOR E NOVELAS

80 ANOS DO CRISTO REDENTOR
A história começou com um jovem padre lazarista: o francês Pierre-Marie Bos que, ao chegar por aqui, em 1859, começou a sonhar com a ideia de plantar no alto da montanha do Corcovado uma estátua de Jesus. Ele chegou a solicitar uma audiência com a princesa Isabel, nos últimos anos do Império, mas faleceu em 1916 sem ver seu sonho realizado. Deixou, no entanto, uma semente – materializada na forma de um poema. Na gestão de Epitácio Pessoa vulto a ideia da construção da estátua tomou vulto.  A imagem do Cristo – que então segurava um globo e apelidada de Cristo da Bola – foi discutida na Escola Nacional de Belas Artes.

Em fevereiro de 1924, o pintor Carlos Oswald fez diversos desenhos até chegar ao que serviu de modelo para o monumento do escultor francês de origem polonesa Paul Landowski, membro do Instituto de França e condecorado com a Legião de Honra. Ele foi escolhido pelo arquiteto Heitor da Silva Costa. Era uma missão e tanto: erguer no pico de um monte de 710 metros de altura – o Corcovado – uma obra do tamanho de um edifício de 13 andares, resistente ao tempo, aos fortes ventos, às descargas elétricas comuns ao local. Foram mais de cinco anos – de meados de 1926 a 1931. Para construir o Cristo, foi escolhida a mesma pedra-sabão utilizada por Aleijadinho para esculpir os Profetas no adro da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. A estátua ficou com 38 metros no total e peso de 1.145 toneladas.

A última restauração ocorreu em 2010, com o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce em parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro. Um ano antes, ele foi tombado pelo Iphan. O Projeto 80 anos do Cristo Redentor, apresentado na Arquidiocese do Rio, que administra o Cristo Redentor, divulgou um ano inteiro dedicado ao Cristo, com a realização de diversos eventos em vários setores – de música, gastronomia e moda a cinema e fotografia. O designer Hans Donner criou a logo.

Há quatro anos a agência Aroldo Araújo liderou uma campanha publicitária que contribuiu para eleger o Cristo como uma das sete maravilhas do mundo. A designer Ana Couto diz  o Cristo conquistou espaço no imaginário global independentemente de qualquer religião. E que, apesar de ser uma imagem-símbolo cristã, está acima do bem e do mal.  Fred Gelli, designer que desenvolveu a marca das Olimpíadas e que acabou escolhendo o Pão de Açúcar como ícone, diz que pensou no Cristo Redentor quando fazia o trabalho de pesquisa para definir o ícone da paisagem carioca para abordar na marca olímpica. Mas que uma expert em iconografia carioca lembrou que o Cristo é um símbolo que a igreja não permite que seja usado em marcas.

De fato, usar o Cristo em projetos de ordem comercial pode ocasionar problemas com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, que hoje administra o Cristo e que recentemente travou uma disputa com a família do escultor Paul Landowski, falecido em 1961. A família quer participação no uso da imagem. Alega que, não há qualquer documento que comprove que Landowski teria cedido os direitos autorais de sua obra a terceiros.

Outra polêmica é o controle e a administração do parque que cerca a estátua. Atualmente quem administra a área é a União através do Ibama, mas a precária administração já resultou até em desvios de verba.

Embora não cobre pelo uso da imagem, a Arquidiocese zela pelo seu uso responsável. Já entrou inúmeras vezes com pedidos de retirada de peças publicitárias que utilizavam a imagem. Já interferiu em desfile de escola de samba, tirou campanhas publicitárias do ar e mantém-se atenta para preservar a imagem. A Igreja permite que a imagem seja usada apenas em propagandas institucionais (do município, do estado ou do governo federal) ou de turismo.

Em 1989 Joãozinho Trinta provocou  uma  briga, chamada  igreja versus arte, ao tentar levar uma réplica da estátua  para a Marquês de Sapucaí, em um desfile da Beija-Flor de Nilópolis. E a Arquidiocese quase processou o jogador uruguaio Loco Abreu quando este gravava um comercial para a Pluna no Cristo Redentor e chutou três bolas em direção à estátua.

Nem Ronaldo Fenômeno escapou. Em 1998, ele apareceu em um comercial da Pirelli, imitando a estátua sobre o Morro do Corcovado. Na época jogando pelo Internazionale de Milão, Ronaldo posou para a campanha com a camisa 10 do time, descalço e com os braços abertos em uma montagem fotográfica sobre a Baía da Guanabara.

Em julho de 2001, durante os desfiles da 8ª Semana BarraShopping de Estilo, os donos da Salinas, tiveram que se desculpar com o então arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, depois de ele ter entrado com uma queixa-crime pelo uso da imagem do Cristo Redentor na estampa de maiôs e biquínis da grife. A Peugeot também quis usar a imagem da estátua em outdoors para anunciar a escolha da Cidade Maravilhosa como sede da montadora, mas houve um pedido da Arquidiocese para que a representação do monumento não fosse utilizada. (Claudia Penteado no PropMark)
Eu também tive problema. Criei uma promoção, que aprovietava um quadro do programa Sílvio Santos, onde entidades filantrópicas participavam de uma gincana. O que propus era a lavagem do Cristo Redendor com um produto fornecido pelo então meu Cliente Cyanamid. Tudo ir às mil maravilhas até que, poucos das antes do evento,  o arcebispo curador voltou de férias, ficou sabendo da promoção e cancelou tudo. 
NOVELAS  CONTINUAM  INFLUENCIANDO
A novela é sempre assunto da conversa. Para os críticos, não é cultura e o formato está decadente, mas os especialistas não hesitam em afirmar que ela é o programa preferido do brasileiro e que terá vida longa.
“A novela é um ponto de convergência, é interclasses, inter-regiões. Está presente na trama cultural de uma maneira muito importante. Tem uma influência transitória em relação à música,à  moda e  move uma indústria muito grande ao redor dela.  Consegue atingir todos os públicos”, afirma Maria Aparecida Baccega, professora do Programa de Pós-Graduação de Comunicação da ESPM e pesquisadora da USP. “A televisão é muito prestigiada pelo mercado, mais de 60% da verba publicitária é destinada à TV aberta, sendo que a telenovela é o produto principal da TV. E a Globo é referência”
A primeira novela brasileira foi para o ar em 1951, na extinta TV Tupi.  O formato parece inesgotável. Só a Globo tem novela na faixa das 6h, das 7h, das 9h e agora também às 11h, com O Astro, além da reprise à tarde no Vale a pena ver de novo. A  novela também é um dos produtos publicitários mais caros. Uma inserção comercial na novela global das 9h, por exemplo, custa em torno de R$ 448 mil.
“Uma novela custa de R$ 200 a R$ 400 mil por capítulo. “É um produto caro”, confirma Henrique Casciato, diretor comercial do SBT. Seu retorno financeiro de uma novela é garantido.”  Após um período sem importar ou produzir novelas, a emissora voltou a exibi-las. “ No SBT, a novela só perde para o jornalismo em termos de faturamento”, revela Casciato.

Atualmente, o SBT tem quatro novelas no ar: Rosa com amor, Amigas e rivais, Cristal (produção da Televisa) e Amor e revolução, com média de cinco pontos no Ibope. Já Fina estampa, novela das 9h que estreou na Globo dia 22 de agosto, registra média de audiência nacional de 39 pontos, com 64% de share. Além de Globo e SBT, a Record também tem novelas em sua grade de programação – já a Band deixou o gênero há alguns anos.

Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana da USP e membro da Academia de Artes e Ciências da Televisão, em Nova York, diz que o sucesso da novela, pode ser atribuído ao fato de ela retratar o próprio cotidiano do brasileiro. “A nossa telenovela, após o processo de modernização empreendido pela Rede Globo no início da década de 1970, passou a dialogar com o público levando em conta todos os seus anseios; ou seja, o próprio cotidiano do povo passou a integrar a estrutura da telenovela”, comenta Alencar, autor de livros sobre telenovelas como Selva de Pedra, O Bem-Amado, Pecado Capital, Roque Santeiro e Vale Tudo.
 A novela também dá audiência em redes sociais como o Twitter, onde muita gente se atualiza sobre elas.
A Globo vem desenvolvendo novas tecnologias. Os conteúdos acompanham as novas tendência e estão presentes em todas as plataformas de mídia. Atualmente, ela tem produtos desenvolvidos tanto para a telefonia móvel quanto para a TV Digital móvel.

Para a Rede Globo, o conceito de assistir televisão de forma tradicional está mudando. “Com a chegada das novas plataformas, a TV aberta vem ganhando mais telespectadores e aumentando o seu alcance, pois com a mobilidade oferecida por esses devices o consumidor pode acompanhar o conteúdo das emissoras em qualquer lugar”. Alegando que o objetivo é deixar esta experiência ainda mais atraente, a emissora viabiliza seus aplicativos interativos também em dispositivos por meio da plataforma Apple e Android.
Em termos de oportunidades de merchandising, a novela só perde para os reality shows. Mas ela está no ar durante o ano inteiro, ao contrário dos realities. Além disso, nos folhetins há atores de verdade.

 “As telenovelas têm núcleos distintos, como o das 6h, para jovens; das 7h, voltado para comédia; das 9h, para o drama; e agora a Globo está voltando para o núcleo das 11h, que seria o núcleo de experimentação”, diz Maria Aparecida Baccega. Uma tendência  é que elas estão com um acabamento estético mais refinado. “Elas estão com cara de minissérie”.

Segundo o Mídia Dados, em 2009 a Globo faturou R$ 240.423.355,00 com merchandising visual (quando só há aparição da marca), sendo que em 2010 esse número pulou para R$ 300.620.526,50. Já o crescimento do SBT no período foi quase sete vezes maior: em 2009, foi de R$ 7.257.065,00 e, no ano passado, de R$ 48.225.395,00.
(por Kelly Dores no PropMark)

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