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sábado, 8 de outubro de 2011

AMANHÃ É DIA DO CÍRIO DE NAZARÉ

ENTRE A COMEMORAÇÃO E A FÉ

Recebi esta mensagem emocionada do  professor e meu amigo Elísio Eluan, e faço questão de dividi-la com você. Foi escrita por Janete Eluan.

Eu sou atéia por escolha e por convicção – ou talvez “à toa” como diria minha santa e beata mãe. Mas acredito no ser humano, nessa força propulsora e exclusiva do homem que é a FÉ, na energia que emana desta fé e na capacidade do ser humano de produzir seus próprios milagres, seja qual for.

Em nenhuma outra época do ano a fé é tão exposta quanto o é em Belém do Pará, no mês de Outubro. São mais de 3 milhões de pensamentos voltados para o mesmo santuário virgem e purificador de Nossa Senhora de Nazaré. Uma fé tão poderosa, tão avassaladora, tão pungente, que vibra e encontra coro até nos ateus. A cidade fervilha, as emoções afloram, o comércio extrapola, as amizades são enaltecidas, a família espalhada pelo país se reúne, os amigos confraternizam, as comemorações se multiplicam.
Belém, nesta época, tem cheiro de fé, um cheiro profano e santo, capaz de unir todas as classes sociais, todos os anseios, todas as esperanças. A energia está no ar, palpável até, contagiante.

Energia produzida pela fé de milhares de romeiros andarilhos, promesseiros, que atravessam grandes distâncias de joelhos, sangrando, rezando, pedindo à sua poderosa padroeira a graça de atende-los. São milhões de adoradores fiéis divididos em várias procissões, tantos querendo agregar sua homenagem àquela que vangloria a Mãezinha de Nazaré, sejam taxistas, motoqueiros, barqueiros, arrumadores, estivadores, banqueiros, empresários, faxineiros, donas de casa, pais de família, turistas, visitantes, crianças. Energia dos que fazem o Círio acontecer, sua fé lavando as feridas e acalentando os sofrimentos, tal qual faria a Senhora de Nazaré. Energia das lágrimas que escapam, da garganta que se fecha, do peito que se aperta na constatação de quão frágil é o ser humano, mas que poder infinito tem a fé que ele produz.

E assim, da minha consciência atéia de que um Deus onipresente, onisciente e onipotente não conseguiria abraçar tantos pedidos e apelos – mesmo sendo três – vem a certeza de que não importa quem produza o milagre, não importa a sua religião, suas crenças, seus valores. No mês de Outubro, o que importa é o milagre que a fé em Nossa Senhora de Nazaré, nossa “Nazica”, é capaz de produzir: ampliar-se e atingir, atômicamente, cada ser humano residente ou transeunte dessa cidade; o milagre de unir, emocionar e transcender todas as diferenças; o milagre de comprovar que a FÉ, qualquer que seja, pode sim, mover montanhas! Um Círio de Nazaré maravilhoso para cada um de nós, beato ou profano, mas cheio de fé.

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