(Pyr Marcondes na Proxxima)) - Um dos destaques do Festival of Media de Montreux foi a apresentação de pesquisa mundial da UM, empresa especializada em estudos do mundo digital, a Wave 6.
A UM iniciou os estudos Wave há seis anos, quando a internet e o mundo digital eram completamente diferentes de hoje e pode, por isso mesmo, acompanhar ano a ano a evolução (ou revolução) desse mercado. Inúmeros achados importantes aparecem na mais nova onda do estudo, que pode ser baixado no endereço www.wave6.co.uk. Vale a pena dar uma olhada.
Entre eles está o fato de que os internautas cada vez menos acessam os sites oficiais das marcas em todo o mundo. O que deve ter impacto importante na forma como essas marcas vão alterar sua estratégia de presença digital. Muitas grandes companhias investiram pesado na construção de portais com grande grau de complexidade, que correm agora o risco de ficar às moscas. Problema.
O impacto das mídias sociais nos hábitos de uso da internet é captado em toda sua magnitude e em detalhes. Cerca de 40% dos entrevistados, por exemplo, afirmam ficar apreensivos se não acessam suas redes sociais todo dia. Mais que um hábito, quase um vício, portanto.
O estudo deixa claro que é esse, hoje, para as marcas, o grande e vital desafio: decifrar a charada de como estar presente nas mídias sociais e criar relacionamento engajado com esse público aficionado. Mais ou menos já sabíamos disso, mas o estudo da números aos bois.
Outra conclusão curiosa é que, apesar de toda a discussão mundial acerca da invasão de privacidade causada pelas cada dia mais sofisticadas ferramentas e algoritmos de behavioral targeting, os jovens internautas não estão lá muito preocupados em exporem sua vida, sua personalidade e seus hábitos. Se obtiverem em troca melhores serviços e conteúdos de que gostem, tudo bem. Vale o trade off. Tem muito mais lá. Achados estratégicos relevantes para seu planejamento de marketing e de comunicação.
SINAL AMARELO PARA AS AGÊNCIAS
(Pyr Marcondes NO Proxxima) - Num debate de rara abertura e franqueza para os padrões aos quais estamos habituados aí no Brasil, hoje ouvimos aqui no Festival of Media a clara posição dos anunciantes a respeito do que, para eles, são ganhos de rentabilidade excessivos por parte das agências. Ganhos que precisariam ser revistos. Mais que isso, pesquisa da WFA – World Federation of Advertisers, que congrega associações nacionais de anunciantes de todo o mundo, aponta para um desconforto e até suspeita de que as agências estejam ganhando demais com o dinheiro dos anunciantes. E que esses números precisam de maior transparência.
O tema do debate foi “Transparência” e baseou-se na recente pesquisa da WFA, que apontou para vários desconfortos dentre os anunciantes diante do bom desempenho (bom demais, talvez, reclamam) nos balanços das agências globais.
O modelo discutido é o modelo vigente em todo o mundo, exceção ao Brasil, em que as agências de mídia planejam e compram mídia, separadas de suas contrapartes de criação. São todas empresas de grupos globais com ações em Bolsa, portanto, têm seus números abertos publicamente. A realidade das mesas de compra e dos sistemas de procurement é vigente nesses mercados há bastante tempo, enquanto ainda uma espécie de novidade para nós. As bases do debate lá são, portanto, bastante diferentes das bases do mesmo debate, caso ele fosse feito aqui.
Há uma discordância frontal entre representantes das agências e dos anunciantes. Para estes, que pagam a conta, a transparência está em cheque, o que abala, no âmago (entenda-se, dinheiro) toda a relação de confiança entre as partes. Benjamin, da Mastercard, foi claro: “O balanço das agências ano passado apontou para uma lucratividade de 30%. Nenhum anunciante no mundo obteve esse índice”.
Ian Hutchinson afirmou: “Quando eu contrato uma agência, imagino que ela negocie ao máximo para que meus custos caiam. Nas mesas de compra, elas reclamam que os valores estão sendo pressionados para baixo. Em meu nome, elas deveriam lutar exatamente por isso e não ao contrário”.
Nesse tipo de debate, o que sempre vem à tona é que sistemas de compra dessa natureza, rígidos e estritamente fundamentado em números e performance, desconsideram o valor da qualidade. Ideias geniais, que mudam a vida de uma marca, deveriam assim ser remuneradas de forma diferenciada, reclamam as agências, merecendo algo a mais do que simplesmente as negociações do dia a dia.
Não para os anunciantes do debate. Reconhecem que qualidade que agrega valor deve ser bem remunerada, mas isso deve constar em contrato desde o início e se a agência concordar com as bases de contrato, elas devem ser seguidas, uma vez que entendidas como justas para ambas as partes. No fundo, defendem, o que se está discutindo é quanto (ordem de grandeza do mundo das quantidades) a agência contribui para a construção das marcas. Esse valor deve ter indicadores de mensuração para que a remuneração seja justa para ambos os lados.
Os anunciantes globais parecem por aqui bastante insatisfeitos e bravos. Uma representante de uma agência de mídia da Inglaterra, do auditório, pegou o microfone para dizer que o debate estava profundamente difícil de aguentar, porque ali estavam presentes apenas representantes dos anunciantes, todos questionando as agências. Disse ainda que estaria muito feliz em abrir suas contas para qualquer auditoria de seus anunciantes e alertou que a rentabilidade dos negócios no seu setor faz tempo não vem apenas da intermediação na compra de mídia, mas de uma série de novos serviços agregados de consultoria estratégica que essas empresas prestam hoje ao mercado. Foi aplaudida pela plateia.
Os anunciantes presentes rebateram que o debate estava ali aberto para a participação dos presentes e que o tema Transparência havia sido escolhido exatamente para esse fim.
Seja como for, um tema com esse nível de delicadeza ter sido debatido ao vivo e a cores no evento trouxe a todos inúmeras certezas. Delicadas certezas, mas apontou para uma crise que, se estava em baixo dos panos, agora não está mais.
SUPERCÂMERA NO ESTUDO DE PRODUÇÃO DE VOZ
(Texto de Karina Toledo, distribuído pela Agência FAPESP) – Para produzir a voz, as pregas vocais existentes na laringe humana vibram entre 100 e 400 vezes por segundo. O fenômeno, impossível de ser observado a olho nu, pode ser visto em câmera lenta graças a um aparelho de videolaringoscopia capaz de capturar até 4 mil imagens por segundo.
A tecnologia tornou possível avaliar, com critérios objetivos, o impacto de cirurgias e tratamentos fonoaudiológicos na produção da voz.
Por meio de parceria com uma equipe de otorrinolaringologistas da Faculdade de Medicina coordenada pelo professor Domingos Hiroshi Tsuji, a máquina foi doada ao Hospital das Clínicas de São Paulo, onde estão sendo feitos os exames que já resultaram em duas dissertações de mestrado e de cinco doutorados e um pós-doutorado em andamento.
“Como esse equipamento é novo, o primeiro passo foi definir o que seria o funcionamento normal das pregas vocais. Para isso, criamos um protocolo”, conta o pesquisador Arlindo Neto Montagnoli.
No trabalho, Pimenta avaliou a vibração das pregas vocais de 30 voluntários sem queixa na voz – 12 homens e 18 mulheres – antes e depois da realização de exercícios fonoaudiológicos. “Foi possível comprovar que os exercícios melhoram, por exemplo, a mobilidade e a amplitude de vibração das pregas. Isso faz com que as pessoas se desgastem menos para falar. É como uma musculação para a voz”, explicou.
Outro projeto de mestrado já concluído foi o da fonoaudióloga Paula Belini, que comparou o funcionamento das pregas vocais de pacientes sadios com o de portadores de nódulos vocais.
Para fazer essas avaliações, uma equipe de engenheiros coordenada por Montagnoli desenvolveu um software que simula o movimento das pregas vocais e mede diversos parâmetros, como os ciclos de vibração das pregas e o tempo de fase fechada. O projeto resultou na tese de doutorado de Alan Petrônio Pinheiro, que deve ser defendida ainda em 2012.
“Pretendemos criar um modelo computacional para testar técnicas cirúrgicas de forma virtual. Isso daria ao médico uma ideia de como poderá ficar a voz do paciente após a operação”, contou Montagnoli.
O pesquisador já havia trabalhado com o conceito de cirurgia virtual em seu próprio doutoramento, mas o software foi aperfeiçoado graças às informações fornecidas pelo novo videolaringoscópio. “Antes o modelo era unidimensional. Agora, desenvolvemos uma versão tridimensional”, disse.
No projeto de pós-doutorado da fonoaudióloga Maria Eugênia Dajer, que está sendo realizado sob orientação de Tsuji, o objetivo é criar gráficos que permitam avaliar o funcionamento das pregas vocais com rapidez.
“É como se fossem eletrocardiogramas da voz. O médico olha e já sabe se está normal ou alterado”, conta Montagnoli. O novo equipamento está sendo usado para validar os resultados dessa análise.
“A ideia é tentar identificar padrões. O médico olharia o gráfico e já saberia se a alteração é causada por um cisto ou por um nódulo, por exemplo”, contou a otorrinolaringologista Adriana Hachiya.
Hachiya também participa de um projeto em parceria com o Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da FMUSP para estudar a vibração cordal de pacientes com mais de 65 anos.
Há ainda um projeto que visa investigar a fisiologia e as patologias que afetam cantores líricos e uma pesquisa, já em andamento, que vai trabalhar com laringe de cadáveres.
Esse recurso será usado pelos pesquisadores da USP para testar técnicas cirúrgicas e simular patologias. “Um dos projetos simula uma paralisia da prega vocal. Aí vamos avaliar com o videolaringoscópio como fica a vibração nessas condições”, disse.
PRÊMIO ODEBRECHT DE PESQUISA HISTÓRICA
Abertas até 29 de junho as inscrições para a nona edição do Prêmio Odebrecht – Clarival do Prado Valladares de pesquisa histórica. Detalhes: www.odebrecht.com.
7º ENCONTRO DE PESQUISA NA GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA
A Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp, campus de Marília, realizará, entre os dias 14 a 18 o Encontro de Pesquisa na Graduação em Filosofia. Detalhes: encfilunesp.wordpress.com/.
6º SIMPÓSIO NACIONAL DE ESTUDOS JUDAICOS
O Centro de Estudos Judaicos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP realizará, nos dias 19 a 21 de junho, o 6º Simpósio Nacional de Estudos Judaicos. Detalhes: www.cej.fflch.usp.br/visimposiojudaica2012.
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