Pesquisar este blog

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

LIXO ELETRÔNICO AINDA AGUARDA DEFINIÇÃO DO BRASIL


A estação de transbordo do lixo, encravada em um terreno na Lomba do Pinheiro, zona Leste de Porto Alegre, poderia muito bem figurar num roteiro de turismo ambiental. Em meio ao vaivém de caminhões da coleta diária, o funcionário do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) Norberto dos Santos Cardoso apontaria ao visitante as atrações da tecnologia moderna que brotam sob as montanhas de resíduos, que, em 24 horas, acumulam duas mil toneladas a serem transferidas ao aterro sanitário em Minas do Leão, a 100 quilômetros de distância.

Teclados intactos ou destroçados, impressoras, rádios, partes de televisores, geladeiras e celulares, além de outros “quitutes” eletrônicos. “Isso faz mal ao meio ambiente e à saúde da gente que trabalha aqui, pois muitos têm líquido ou gás que vaza. Será que as pessoas não sabem?”, lamenta o funcionário, que, há cinco anos, atua na estação e ainda se surpreende ante o descuido de quem reside na cidade.

A Capital até tem alguns escassos locais criados pelo DMLU para receber equipamentos que não servem mais aos seus donos. Com a facilidade de comprar ou o alto custo para consertar, cada vez mais as pessoas se desfazem de aparelhos para substitui-los por novos. A consultoria Inventta buscou dimensionar o tamanho da logística reversa para Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) no Brasil para telefones móveis. O estudo, elaborado em 2012, apurou que 100 toneladas poderão ser descartadas este ano considerando o peso médio dos celulares vendidos em 2010, cuja vida útil é de três anos. Este será apenas um item da família da linha verde dos REEE, identificada com o segmento de informática, que poderá fazer parte do cenário de lixões e aterros. O Comitê Orientador para implantação da Logística Reversa no País (Cori), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), publicou, neste mês, o edital de chamamento de propostas dos procedimentos que revertam o destino do lixo eletrônico, cujo volume descartado é ignorado.

“A negociação para obter um acordo setorial é muito mais complicada. Temos de resolver o Brasil inteiro, desde o consumidor, a coleta, o transporte, a reciclagem e o reaproveitamento de partes”, justifica Zilda Maria Faria Veloso, gerente de Resíduos Perigosos do MMA. Zilda cita que as tratativas com entidades empresariais da indústria e comércio, de recicladores, ambientalistas e consumidores apontam para uma implantação escalonada, começando pelas capitais e grandes cidades e avançando aos poucos sobre o Brasil. “Há problemas, e entendemos as complicações, pois temos de lidar desde um MP3 até um tomógrafo. Não podemos exigir que uma loja em um shopping center recolha eletrodomésticos usados. Precisamos de estratégias para grandes volumes, o que é diferente de ter recolhimento de celulares”, ressalta a gerente do MMA.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que está no grupo dos REEE, cobra a definição de regras. O pesquisador do organismo João Paulo Amaral considera “um absurdo a demora em obter um acordo” e sugere que a resistência de setores da fabricação e varejo em incluir eletroeletrônico no rol dos alvos da política nacional retardou as negociações. Os grupos setoriais para tratar de cada tipo de resíduo - que incluem o de embalagens de óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes – foram criados em maio de 2011. No ano passado, foram inseridas mais duas cadeias – de medicamentos e embalagens em geral (principalmente as geradas nas compras no varejo – do supermercado à loja).

A meta é concluir as negociações e abrir uma nova etapa da relação dos brasileiros com seu lixo não convencional até 2014. “Esperamos que, em 2013, algumas coisas estejam ocorrendo”, opina Amaral. “A ministra (do Meio Ambiente, Izabella Teixeira) faz forte cobrança para ver tudo pronto neste ano”, responde Zilda. O Cori só conseguiu firmar acordo sobre embalagens de óleos, que entra em vigor este mês e coloca nas mãos de postos de combustíveis e concessionárias a obrigação de dar destino adequado. Os demais esperam consulta (REEE e embalagens) ou ainda aguardam as primeiras propostas (veja quadro).

Bom que governo, fabricantes e varejo fechem um acordo sobre a tarefa de cada um. O modelo previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em agosto de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva após 20 anos de idas e vindas de propostas e substitutivo no Congresso Nacional, segue a logística compartilhada. “Isso foi uma inovação da lei. Todos os atores que integram a cadeia terão responsabilidade”, reforça o presidente da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), Vanderlei Niehues. “Mas é difícil igualar as tarefas dos consumidores com as dos fabricantes. A indústria tem de dar estrutura para que o consumidor possa participar”, devolve o pesquisador do Idec, citando a ausência de orientações simples em embalagens dos produtos.
Falta determinar local para descarte dos produtos
A enfermeira aposentada Vitoria Korbes descobriu, no lixo comum do seu prédio, onde é síndica, uma impressora deixada por um morador. Guardou em um depósito do condomínio. No dia seguinte, um monitor e teclado amanheceram perto do achado anterior. “Não sabia o que fazer, mas o lugar não era no lixo comum”, conta a enfermeira. Em poucos dias, uma vizinha que tinha alguns aparelhos para descarte perguntou se podia deixar o “lixo eletrônico” no depósito improvisado. Vitoria lembrou então de e-mail enviado pelo sindicato das imobiliárias que orientava sobre o destino dos resíduos. Ligou e agendou com uma empresa que combinou a coleta gratuita no edifício.

“Agora tenho uma geladeira ano 1979 e não sei o que fazer. Já tenho uma nova”, acrescenta a síndica. Esta ginástica que a enfermeira teve que fazer para resolver o passivo coletivo não deverá ocorrer quando a logística reversa de REEE estiver em vigor. Locais, preços e como será o processamento dos resíduos devem ser claramente comunicados. Hoje, não há acordo entre indústria e varejo. Tem um custo a ser assumido, que começa a ser dimensionados. “Cogita-se que o custo do varejo será repassado aos preços. Isso não está totalmente correto. A responsabilidade compartilhada não estaria sendo tão compartilhada assim”, reage João Paulo Amaral, do Idec. Amaral cita que é preciso gerar incentivos para o consumidor participar e sugere aplicar exemplos de países como a Alemanha.

A consultora ambiental da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a engenheira-agrônoma Cristiane Soares, esclarece que o setor negocia com fabricantes os possíveis fluxos e regras de recolhimento. “Está acertado que os estabelecimentos com área disponível para contentores serão indicados como postos de recebimentos das marcas”, informou Cristiane. Sobre a cobrança de clientes, a consultora da CNC diz que a definição terá que ocorrer para produtos de médio e grande porte. “Não há uma posição definida. Estamos levantando custos de cada fase das operações”, explica a especialista. 

Para a direção da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), criada em 2011 pelos maiores fabricantes que operam no País, da geladeira ao celular e computadores, o varejo está atrasado na definição de estratégias e estrutura para atuar com manufatura reversa. “Já estamos nos preparando de forma acelerada, mas quem determinará a viabilidade é o comércio”, previne o presidente da associação, Vanderlei Niehues. “O maior gargalo hoje está no varejo, que tem preparo para vender e entregar e não para receber de volta”, critica Niehues.

A consultora da CNC admite que há esta preocupação. A justificativa para as dificuldades seria o tamanho de mais de 80% dos estabelecimentos para comportar contendores. “Postos de recebimento poderão ser mantidos de forma associativa ou em parcerias com ONGs e governos”, adianta a engenheira-agrônoma. Cristiane adverte, porém, que produtos muito antigos, cuja marca não existe mais ou têm origem ilegal, não serão responsabilidade dos estabelecimentos.
Digimer cria coleta em 14 lojas
A loja de itens de informática Digimer começou por acaso a coletar aparelhos descartados por clientes. Consumidores aportavam nas filiais e questionavam sobre locais para depositar seus lixos eletrônicos, recorda o gerente de Tecnologia da Informação (TI) da rede, Volmir Baez. O profissional sugeriu a coleta e transformou o projeto em tema de seu MBA em Gestão de Empresas. “Queria abordar o ciclo de vida de um equipamento e criar a estrutura. Mas isso envolve reciclagem de cultura e ideias”, previne Baez.

Desde 2009, a rede, com 14 pontos, recolheu 1,5 tonelada. “Começamos com 200 quilos”, lembra o gerente de TI. No princípio, as doações eram endereçadas a instituições sociais, que reformavam ou reutilizavam para revenda. Em 2010, a empresa firmou contrato com uma recicladora certificada e profissionalizou o processo.

Os itens ficam em um depósito no centro de distribuição, onde são removidos a cada dois meses para descarte. Com isso, a empresa está pronta para encarar as regras da política de resíduos. “Muitos clientes queriam saber o destino dos aparelhos. Agora temos certificado de que o lixo está sendo descartado corretamente”, esclarece Baez. Os clientes entregam exemplares de informática a celulares, de marcas vendidas ou não pela Digimer. “Esta atitude valoriza a empresa junto ao consumidor, e mostramos que o compromisso não é só em vender, mas com o destino dos produtos.”
Setor de reciclagem espera por normas para poder expandir a capacidade
A Política Nacional de Resíduos Sólidos estipulou um sistema declaratório para formar uma espécie de inventário de tudo que entra na logística reversa. A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre) contabilizou, entre as associadas, receita de R$ 1 bilhão em 2009. O setor cresce, em média, 10% ao ano. “Hoje é três vezes maior”, informa o diretor-presidente da entidade, Diógenes Del Bel, que cobra a implantação do sistema, que, segundo o dirigente, deveria ter entrado em vigor em 2012.

“Falta uniformização de critérios para coletar dados nos estados. Seria fundamental o governo acelerar isso”, destaca Del Bel. Ao contabilizar cada doação feita por um consumidor ao descartar o resíduo de equipamentos elétrico e eletroeletrônico (REEE), pode-se dimensionar e verificar a operação de cada ator do processo. Para viabilizar a iniciativa privada na recepção de materiais, as regras são decisivas, destaca Del Bel, que pede agilidade dos negociadores. O dirigente avisa que não há maior dificuldade em organizar a cadeia, pois cada produto tem um tipo de descarte, e que as empresas podem dar conta de todo o trabalho internamente. “Os empreendedores estão com projetos esperando a demanda. Temos capacidade ociosa”, destaca o diretor-presidente da Abetre.

A consultoria Invertta estima que, quando a logística reversa estiver 100% adotada, poderá gerar de 10 a 15 mil empregos diretos entre locais de coleta/descarte, centros de triagem e recicladoras somente no primeiro ano. Outro efeito será o aumento de 18% na oferta de material reciclado somente no ramo de plásticos. A Oxil (palavra lixo de trás para frente), comprada pelo grupo Estre, um dos maiores players na área ambiental da América Latina, está pronta para deflagrar uma ampliação na sede em Paulínia, em São Paulo. A expansão será acelerada com a definição das regras para REEE. A capacidade de mil toneladas já é usada. A Oxil também processa resíduos nas plantas industriais de clientes. Na sede, atende à gigante de informática Apple, que exige gravação em vídeo de todo aparelho descartado. A companhia norte-americana, cita Veloso, é um das raras no Brasil, com sistema de recebimento de materiais enviados pelos usuários sem custo.

A empresa de manufatura reversa espera aumento de 65% da demanda este ano. Um dos gerentes da operação, Lucas Veloso destaca que a lógica do setor é ter volume para baratear custos, em toda a cadeia. O custo médio é de R$ 2,50, mas a Oxil baixou a R$ 1,50. “Quanto maior o volume, menos custos”, condiciona Veloso, citando que há resistência de fabricantes e varejo em bancar a conta. “Mas, com um a regra, isso começa a mudar. No pós-consumo está a maior barreira. As pessoas não sabem para onde enviar.” A Oxil quer desenvolver a cadeia para receber e vender os materiais obtidos na manufatura reversa.
Mercadorias são recuperadas e voltam ao mercado consumidor
Boa parte dos resíduos de equipamentos elétricos e eletroeletrônicos (REEE) que deveria ser enviada para reciclagem especializada é reaproveitada. Empresas, muitas informais, e instituições sociais vivem deste mercado. É o caso da organização Mensageiros da Caridade, que não cobra nada para socorrer moradores ou empresas que querem se livrar de um bem. Com o aumento do consumo, mais de 80% das doações, geradas em 91 mil chamados em 2012, foram deste segmento. O problema é que, ao lado da maior oferta, caem os preços para revenda, fonte de sustento dos projetos sociais com jovens, diz a superintendente-adjunta Rosane Pessotto.

Na sede do Mensageiros, na avenida Ipiranga, foi necessário ampliar espaços para abrigar geladeiras, fogões, computadores e uma infinidade de eletroportáteis. “Sempre conseguimos reaproveitar algo, consertamos, revendemos”, descreve o coordenador de logística do depósito, Jair Pincetta, que espera que a logística reversa não esvazie a oferta para os projetos. Mas a operação também gera resíduo do resíduo, um custo para recolhimento e destinação adequada. Autorizada a processar REEE, a Trade Recycle, criada em 2010 por um investidor privado e com sede em Cachoeirinha, recebe o refugo do Mensageiros e de muitas oficinas em mais oito municípios com quem mantém convênios.
O consultor de negócios da recicladora, João Caruso dos Santos Rocha aponta que a dificuldade de obter grandes volumes e qualidade de matéria-prima (REEE) é um limitador para gerar receita e sustentação à operação. Mensalmente, são tratadas 50 toneladas, com maior foco em itens de informática. Linha branca não é processada. Quase R$ 1 milhão foram aplicados, com geração de 12 vagas de trabalho. “Existe um mercado que desmonta equipamentos e que fica com 40% a 50% da oferta”, estima Rocha, citando que na Capital são recolhidos de quatro a cinco toneladas por mês nos postos mantidos pelo município. “O que vai viabilizar a logística reversa é o faturamento”, adverte o consultor.

A expectativa para a aplicação da lei de resíduos é alta e considerada decisiva para o setor. Hoje, apenas 100 empresas privadas requisitam o serviço da Trade, que recolhe sem custo ao doador. Quando as regras estiverem sacramentadas, o ônus deverá ser compartilhado, cita Rocha. A empresa negocia uma parceria com o Sindilojas, de Porto Alegre, para atuar com o varejo. “Mas, enquanto a consciência ambiental não se sobrepor aos custos, não vai adiantar”, avisa Rocha. Porto Alegre tem uma lei desde o fim de 2012, que estipulou um ano para que o varejo monte sua logística reversa, reforçando a política nacional. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apurou, em 2012, que o País perde R$ 8 bilhões ao ano por enterrar materiais recicláveis que poderiam voltar à indústria.
PASSIVO À VISTA
Destinação adequada de resíduos sólidos aguarda a definição de procedimentos

PONTO DE PARTIDA
  • Lei 12.305: promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto de 2010, e institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Propostas para formular a lei tramitaram 20 anos no Congresso Nacional.
  • Porto Alegre: Lei 11.384, de dezembro de 2012, que estabelece regras para destinação adequada de lixo eletrônico, com prazo de um ano para se adequar.
PROPÓSITO
  • Disposição adequada de resíduos sólidos de diversas fontes, redução de resíduos, ampliação de reciclagem e responsabilização de consumidores, varejo e fabricantes na logística reversa.
VIGÊNCIA DA LEI
  • 2011: criados o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa (Cori) e grupos de trabalho para definir acordos e regras por cadeias produtivas. Meta é colocar em vigor em 2014.
A SITUAÇÃO EM CADA CADEIA
  • Embalagens plásticas de óleos lubrificantes: acordo assinado em dezembro de 2012 entre entidades do setor e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
  • Lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista: propostas dos setores foram reunidas em documento. MMA fará consulta pública até março. 
  • Embalagens em geral: prazo para envio de propostas dos setores terminou em janeiro.
  • Medicamentos: sem definição de propostas e acordos.
  • Produtos eletroeletrônicos: linhas branca (refrigeradores e congeladores, fogões, lavadoras de roupa e louça, secadoras e condicionadores de ar), marrom (monitores e televisores de tubo, plasma, LCD e LED, aparelhos de DVD e VHS, equipamentos de áudio e filmadoras), azul (batedeiras, liquidificadores, ferros elétricos, furadeiras, secadores de cabelo, espremedores de frutas, aspiradores de pó e cafeteiras) e verde (computadores desktop e laptops, acessórios de informática, tablets e celulares). Aguarda publicação de edital para consulta pública e recebimento de propostas.
Programa de eficiência energética testa modelo de reciclagem
Na casa de Mara Ceni Santos Leão, no bairro Fátima, em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre, a geladeira não tinha mais borracha. Só ficava fechada, se é que dá para se dizer isso, com uma fita adesiva segurando a porta. Mesmo assim, a dona de casa cansou de flagrar saladas congeladas porque o aparelho degelava na parte inferior e nada na área superior. Quando o refrigerador novo entrou na residência, em 2011, foi para a sala, virou item de decoração e alegria da família com três crianças. Mara queria a mesma solução para a televisão de tubo que já não funciona, para tristeza dos três meninos pequenos que insistem em acioná-la para jogar games. “Só os ouço reclamar, mas vou largar onde? Mandar consertar sai caro, não vale a pena”, rende-se a dona de casa.

Foi graças ao programa de eficiência energética que o eletrodoméstico velho, que mal ligava e pouco gelava, foi trocado. E a razão é simples: a geladeira, de segunda mão já havia encerrado sua vida útil. A iniciativa, que é imposição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que as companhias elétricas destinem 0,6% da receita líquida em iniciativas como a que alcançou Mara e milhares de famílias de baixa renda pelo País, é apontada como um teste de como pode ser a logística reversa para o segmento. Neste programa, o novo aparelho vem de graça, ajudando na redução da conta de luz pelo menor consumo. Mara cortou a despesa pela metade no primeiro mês da troca.

O responsável pela área de Eficiência Energética da AES Sul, distribuidora que atende Canoas, Adriano Lersch, contabiliza a entrega de 3 mil unidades desde 2010 e já disparou a compra de mais 4 mil a serem substituídos até 2015. A estimativa é de que pelo menos 86 mil clientes da área de cobertura da companhia poderiam usufruir do mesmo programa. “Nossa preocupação é que tudo seja recuperado e com destino adequado. Isso tem de ser feito por uma empresa com capacidade de executar dentro de normas e que precisa apresentar certificação”, explica Lersch. As ações de eficiência também atingem a troca de lâmpadas (mais de 300 mil) e chuveiros elétricos, com contratação de fornecedor com logística reversa autenticada. Tudo integra o pacote da política de resíduos sólidos.

Para a indústria de eletrodomésticos, o programa das elétricas virou uma oportunidade para resgatar os produtos velhos e vender mais. Para conquistar as encomendas, as fabricantes tiveram de montar suas logísticas reversas. O gerente-geral de sustentabilidade da Whirlpool e coordenador a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), Vanderlei Niehues, espera que as redes de varejo busquem as campanhas de substituição. “Somente a conscientização do consumidor não vai funcionar”, adverte Niehues. A questão é compartilhar custos para receber e endereçar à reciclagem. “O cliente poderá deixar em pontos de coleta ou entregar a um reciclador indicado”, amplia. Ao ano, estima-se em 10 milhões de itens que chegam a residências. Nos eletrodomésticos, a associação aponta que 80% a 85% dos componentes podem ser reaproveitados e se destinam a outros segmentos.

O presidente da entidade cita que não há lucro. A intenção é lançar campanhas ainda no primeiro semestre em São Paulo para divulgar as medidas de logística reversa. Outros itens a serem equacionados envolvem capacidade de reciclagem e tributações sobre o REEE. “Há um grupo que estuda a desoneração gradativa”, adianta o dirigente. Outra incógnita é a responsabilidade de importadores, que hoje não pagam taxas para custear a logística reversa, medida adotada para itens que ingressam em muitos países pelo mundo. (Texto de Patrícia Comunello, distribuído pelo www.brasilalemanha.com.br)
OPERAÇÕES DO TWITTER AGORA TAMBÉM NO BRASIL

Estados Unidos, Japão, Inglaterra e, agora, Brasil. O país é o quarto território no mundo a receber uma unidade de negócios do Twitter, que passa a direcionar seus esforços na direção de empresas e anunciantes ambientados ou não com as enormes possibilidades oferecidas pela rede social. “O princípio natural da publicidade é a interrupção. Todos os dias, nos deparamos com uma quantidade enorme de anúncios que tentam nos vender os mais variados produtos e serviços em poucos segundos. O Twitter vai na contramão desse princípio, pois estimula o diálogo – e as marcas finalmente identificaram a oportunidade de transformar essa conversa em lucro. Queremos ensinar as empresas e marcas a usar o Twitter com criatividade”, disse Joel Lunenfeld, vp de estratégia de marcas globais da rede, em bate-papo na manhã desta quarta-feira (20), em São Paulo.

Até o momento, as negociações entre as empresas brasileiras e o Twitter eram feitas via escritório americano. Com a unidade brasileira, a operação deve se simplificar. “Os grandes anunciantes, é claro, estão mais familiarizados com o funcionamento da ferramenta. No Brasil, o número de agências focadas no online que detêm as contas dos 200 maiores anunciantes está entre 30 e 40. Eles sem dúvida são nosso target, mas também investiremos nos médios e pequenos. Contaremos com especialistas em diversos setores, como varejo e entretenimento, e o foco é trazer essas empresas menores para o Twitter. Se mais tarde elas nos procurarem para anunciar, é lucro”, afirmou Guilherme Ribenboim, diretor-geral.

Segundo John Ploumitsakos, diretor de vendas para médias empresas, a maior procura dos internautas no Twitter se dá por restaurantes, varejo e entretenimento. “Detectamos que cerca de 50% dos usuários da rede seguem mais de seis empresas, geralmente em busca de descontos e promoções, conteúdo exclusivo e lançamentos. Essa interação aumenta a possibilidade de consumo em lojas físicas em grau significativo. No Twitter, o cliente é advogado da marca. Ele deixa de ser apenas cliente e torna-se peça fundamental na divulgação dessa marca. Empresas que aceitam essa realidade estão à frente”, declarou.

Ainda pequeno no Brasil, com três profissionais definidos, o escritório de negócios do Twitter anunciará novas contratações em breve. Entre outras atividades, a equipe oferecerá às empresas um modelo com dicas sobre o que fazer no dia a dia da rede para aumentar o engajamento do consumidor e as possibilidades de sucesso.

O megaevento esportivo vai ganhar ações específicas por parte da equipe do Twitter no Brasil. “Fomos para Londres dois anos antes das Olimpíadas. Treinamos atletas e mídia, de modo que os conteúdos gerados fossem interessantes e criativos. E se o conteúdo é atrativo, a audiência naturalmente aumenta”, afirmou Lunenfeld, ainda sem detalhes sobre as iniciativas, mas adiantando sua importância. (Propmark)

CONSUMIDORES COMENTAM COMPRAS NOFACEBOOK

Entre as 484 pessoas participantes do estudo realizado pela Hi-Mídia, rede de verticais premium pertencente à holding digital do Grupo RBS, e pela M.Sense, empresa especializada em pesquisa de mercado digital, 95% afirmaram utilizar redes sociais. A rede mais acessada é o Facebook, sendo acessado por 86% dos entrevistados. Segundo 81% dos usuários, a rede tem forte apelo para comunicação com amigos e familiares.

Já o Twitter, acessado por 32% dos pesquisados, tem como principal finalidade a atualização de notícias e acontecimentos para 58% dos entrevistados que possuem conta. As demais redes aparecem com percentuais menores de acesso, com 33% para o Google+, 22% para Linkedin e 16% para o Badoo.

A pesquisa avaliou, ainda, a interação do usuário com marcas no Facebook e no Twitter. No primeiro, 57% dos usuários curtem alguma marca e buscam novidades sobre elas. Já no Twitter, a busca é sobre melhores oportunidades de compra e descontos. Entre os entrevistados, 57% curtem no Facebook alguma marca, sendo a Nike a marca mais citadas, e 73% comentam sobre suas compras quando são surpreendidos tanto positivamente como negativamente. O uso das redes para comentar sobre compras é elevado (65%) e não se restringe às reclamações ou elogios a determinada marca.

A frequência de uso e o local de acesso variam de acordo com a ferramenta. O acesso domiciliar é o mais comum entre todas as redes, variando de 83% a 93% de acordo com cada uma delas. Já no trabalho, 35% dos usuários de Facebook, 37% dos cadastrados no Twitter, 40% dos que possuem Linkedin e 22% das pessoas que têm Orkut disseram acessar suas contas.

Os usuários de Facebook ganham também no quesito mobilidade. Dos pesquisados que afirmaram possuir conta na rede, 23% acessam via celular ou outro dispositivo móvel, contra 25% do Twitter, 15% do Linkedin e 12% do Orkut. O tempo que os internautas passam conectados também varia. 57% por cento dos usuários de Facebook acessam suas contas mais de uma vez por dia e 20% disseram ficar conectado o dia todo. Com assinantes menos assíduos, o Twitter possui 12% dos usuários conectados o dia todo. (Propmark)

Continue lendo...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

DOMINGO É DIA DE AUDITORIA


 
AUDITORIA DA COMUNICAÇÃO

 

AS PALAVRAS

 

“A redação em publicidade é um bom aprendizado para o texto jornalístico, porque na publicidade você tem que ter um texto atraente, conciso e enxuto. É um bom exercício, inclusive para escrever crônicas” (Luís Fernando Veríssimo)

 

UM GRANDE PROFISSIONAL

 

Licença para aplaudir João Santana, cujo trabalho junto a Lula e Dilma vem dando um banho nos concorrentes.

 

XINFRIM

 

Se quiser mesmo concorrer à Presidência da República com  alguma chance de vencer, Aécio Neves vai ter de melhorar muito na postura, na voz, na maneira como se pronuncia, na coragem de dizer as coisas no dia, na hora e no luar certo.

 

No pronunciamento que fez esta semana no Senado não mostrou nada disso.

 

BOLA DENTRO, BOLA FORA

 

A Almap teve a genial ideia de lançar o Fusca simulando a época em que o Fusquinha dava as cartas.  Mas jogou fora essa oportunidade de fazer uma campanha memorável com os comerciais medíocres que começará a veicular amanhã.

 

BOLA NA TRAVE

 

Estamos cansados se saber que uma boa trilha, um bom jingle, uma boa vinha, um  bom efeito sonoro,  são fortes elementos para fazer o consumidor gravar rapidinho a mensagem.

Mas atenção: têm de ser bons mesmos e não essas porcarias que andam veiculando por aí.

 

CIRCULANDO NA INTERNET

 
1.Anuncio de namoro no Ceará

O JORNAL CEARENSE RECEBEU ESSE PEDIDO DE PUBLICAÇÃO DE ANUNCIO E, ACHANDO-O ENGRAÇADO, PEDIU AUTORIZAÇÃO PARA COLOCA-LO EM LOCAL DE DESTAQUE, SEM QUALQUER ACRESCIMO DE CUSTO. AFINAL, ERA CÔMICO. NÃO ESPERAVAM RESPOSTA. MAS... HOUVE A RESPOSTA... E, DA MESMA FORMA QUE O ANUNCIO INICIAL, RECEBEU LOCAL DE DESTAQUE EM SUA PUBLICAÇÃO.

ANÚNCIO PARA ARRUMAR NAMORADA


Matéria publicada em um jornal de circulação diária do Estado do Ceará
(Leia também a resposta da pretendente).


Homem descasado procura...

Homem de 40 anos, que só gosta de mulher, após casamento de sete anos, mal sucedido afetivamente, vem através deste anúncio, procurar mulher que só goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta preencha certos requisitos:
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE tenha idade entre 28 e 40 anos, não descartando, evidentemente, aquelas de idade abaixo do limite inferior, descartando as acima do limite superior.
Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam, na frente de estranhos: 'menas vezes', 'quando eu si casar', 'pobrema no úter', 'eu já si operei de apênis', 'é de grátis', 'vamo de a pé', 'adoro tar com você' e outras pérolas gramaticais.

Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma e olhem para uma só direção.
Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d'água.
Os seios devem ser firmes, do tamanho de um mamão papaia, cujos mamilos olhem sempre para o céu, quando muito para o purgatório, nunca para o inferno.
Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos, como massa de pão.

Por motivos óbvios, a boca e os lábios, devem ter consistência macia, não confundir com beiço.
A barriga, se existir, muito pequena e discreta, e não um ponto de referência.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha orgasmos, se múltiplos melhor, mas mesmo que eventuais, quando acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele sinta-se sexualmente interessante. Independentemente da experiência sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no rádio relógio, não durma ou cochile.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de análise, o que poderia camuflar, por algum tempo, uma eventual esquizofrenia.

A PRETENDENTE deverá ter um carro que ande, nem que seja uma Brasília, ou que tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do PRETENDIDO, ele não tem mais paciência para levar namorada de madrugada para casa.

Enviar cartas com foto recente, de corpo inteiro, frente e costas, da PRETENDENTE, para a redação deste jornal, para o codinome:
'CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE'.




Resposta da Pretendente, publicada dias após, no mesmo periódico Cearense :

Prezado HOMEM DESCASADO...
Li seu anúncio no jornal e manifesto meu interesse em manter um compromisso duradouro com o senhor, desde que (é claro) o senhor também preencha outros 'certos' requisitos que considero básicos.

Quanto à idade convém ressaltar que espero que o senhor tenha a maturidade dos 40 anos e o vigor dos 28, e que seu grau de escolaridade supere a cultura que porventura tenha adquirido assistindo aos programas do 'Show do Milhão'.

Seus olhos podem ser de qualquer cor desde que vejam algo além de jogos de futebol e revistas de mulher pelada.
E seus dentes devem sorrir mesmo quando lhe for solicitado que lave a louça ou arrume a cama.

Não é necessário que seus músculos tenham sido esculpidos pelo halterofilismo, mas que seus braços sejam fortes o suficiente para carregar as compras.
Por motivos também óbvios, além de cumprir com eficiência as funções a que se destinam, as bocas no relacionamento de um casal devem servir, inclusive, para pronunciar palavras doces e gentis e não somente: 'PEGA MAIS UMA CERVEJA AÍ, MULHER!'.

A barriga, que é quase certo que o senhor a tenha, é tolerável, desde que não atrapalhe para abaixar ao pegar as cuecas e meias que jamais deverão ficar no chão.
Quanto ao desempenho sexual espera-se que corresponda ao menos polidamente à 'performance' daquilo que o senhor 'diz que faz' aos seus amigos! E que durante o ato sexual, não precise levar para a cama livros do tipo: 'Manual do corpo humano' ou 'Mulher, esse ser estranho'!

No que diz respeito ao ítem alimentação, cumpre estar atualizado com a lista dos melhores restaurantes, ser um bom conhecedor de vinhos e toda espécie de iguarias, além de bancar as contas, evidentemente.

Em relação ao carro, tornam-se desnecessário s os trajetos durante a madrugada, uma vez que, havendo correspondência nas exigências que por ora faço, pretendo mudar-me de mala e cuia para a sua casa ... meu amor!!!

ass: A COBRA
 

 

 
2. REDAÇÃO DO CONCURSO NA VOLKSWAGEN

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder à seguinte pergunta: 'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:


Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi sentimentos.
Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas, sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...
Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.

O CARA ARREBENTOU...

Continue lendo...

sábado, 23 de fevereiro de 2013

BOO-BOX ANALISA GERAÇÃO Y...



A Boo-box, em parceria com a Hello Research, realizou, no final do ano passado, uma pesquisa sobre a chamada “geração Y”, formada por jovens com idade entre 18 e 30 anos. De acordo com Marco Gomes, ceo da Boo-box, o objetivo do estudo foi traçar um perfil mais abrangente dessa parcela tão significativa da população, de uma forma diferenciada, do que já havia sido feito.

Apresentado na última semana, o estudo foi realizado pela internet, por meio de redes sociais, entre os dias 15 de outubro e 20 de novembro, por meio do sistema OnTarget Hello Research, com representatividade nacional. Foram ouvidas 3.427 pessoas, sendo 50% da região Sudeste, 20% da Sul, 17% da Nordeste e 13% da Norte e Centro-Oeste. O estudo também priorizou os jovens das classes B/C, que representavam 80% do total, composto ainda por 14% de jovens da classe A e 6% das classes D e E.

Segundo Gomes, o estudo trouxe alguns pontos relevantes e que não tinham aparecido em nenhum outro levantamento realizado sobre o tema. Como exemplo, ele citou que, apesar de ser um consenso aceito pela sociedade que essa geração dá valor à liberdade, na prática, esse conceito é confrontado com outro valor que eles admiram: conforto. O estudo apontou que 67% dos jovens de 18 a 25 anos moram com os pais.

Essa proporção vai para 83% entre os mais jovens, com idade entre 18 a 20 anos e vai para 44% entre os mais velhos, de 25 a 30 anos. Outro fator que ficou evidente é a relação entre as classes sociais e a saída precoce da casa dos pais: enquanto 84% dos entrevistados da classe A ainda moram com os pais, esse número cai para 47% na classe D.

Mais um ponto que, segundo a pesquisa, contesta o que até então vinha sendo falado sobre essa geração, é o que os jovens pensam sobre as profissões. De acordo com o estudo, por mais que se diga que os Ys pensam diferente das gerações anteriores, a verdade é que sua relação com o trabalho é parecida com a de seus pais. Consoante à pesquisa, a maioria dos jovens ainda prefere segurança, dinheiro e tranquilidade em vez de assumir grandes desafios. 16% dos entrevistados disseram que a estabilidade econômica é um dos fatores que mais influenciam na escolha de um emprego. A remuneração também aparece, com 19%.

A maioria desses jovens trabalha (58%) e os homens da Geração Y estão mais inseridos no mercado do que as mulheres (63% e 52%, respectivamente). As áreas de maior concentração de trabalho desse grupo são: informática (19%), comércio (10%), administrativo (9%), educação (9%) e comunicação (7%).

 A pesquisa também aponta que 59% dos jovens disseram que têm religião, mas, ainda assim, esse número representa uma mudança de comportamento se confrontado com a análise de gerações anteriores. A classe econômica também tem impacto no tema: os jovens das classes C e D são os mais religiosos; os católicos ainda são maioria, com 48%.

Mais um ponto surpreendente do estudo, de acordo com Gomes, é que apenas 40% dos jovens dessa geração praticam atividade física regularmente. A atividade mais praticada é musculação (32%), seguida de futebol (21%). A pesquisa também apontou que a maioria desses jovens tem veículo próprio (67%), percentual que cresce conforme aumenta a classe socioeconômica.

Segundo Davi Bertoncello, diretor da Hello Research, o estudo não teve caráter de senso ou de produzir dados para um ou outro mercado especificamente. De acordo com ele, a ideia era entender os temas mais relevantes para esse jovem adulto. Um dado interessante foi que, de uma forma geral, não houve grande discrepância entre os dados de cada região.

“Acabou aquela época em que jovens do Sudeste levavam uma vida completamente diferente da dos jovens do Nordeste, por exemplo”. Bertoncello acrescentou também que, por ser um público muito pesquisado ao longo dos últimos anos, a diferença básica entre essa pesquisa e os demais estudos foi a abrangência e o aprofundamento do debate. (Propmark)

... LANÇA GUIA DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO...

 
A Boo-box, empresa de tecnologia em publicidade para mídias sociais, lança o Guia de Produção de Conteúdo, documento com informações e orientações sobre produção e gestão de conteúdo para web e redes sociais, incluindo blog, Twitter, Facebook, Pinterest, Flickr, YouTube e Google+.

O material foi criado com o objetivo de colaborar com empresas e anunciantes no planejamento e desenvolvimento de suas ações de marketing digital.

O guia reúne uma série de textos explicativos com dicas sobre produção de conteúdo, estratégias de SEO (Search Engine Optimization), como aumentar a influência no Twitter, como funcionam as fan pages no Facebook e como se valer do YouTube para aumentar a relevância de um blog, entre outras.

“O ponto de partida para a produção do guia foram os textos que a Boo-box, como empresa de mídia digital, já havia produzido tendo os publishers de sua rede como público-alvo. Como o material foi se tornando referência e de grande utilidade, optamos por adaptá-lo e trazê-lo para o universo das marcas”, explica Marco Gomes, cmo da Boo-box.

“Hoje, a rede da companhia conta com mais de 1.500 anunciantes, de todos os portes e, por isso, temos todo o interesse em ajudá-los a ampliar a qualidade da produção de seus conteúdos e seu engajamento online”, complementa.

O guia completo fica disponível para download pelo sistema “Pay with a tweet”, quando o usuário baixa o arquivo gratuitamente postando uma mensagem sobre ele em seu Twitter ou Facebook. (Propmark)

 ... ACRESCENTA UM GUIA DE MARKETING...

A Boo-box lança um guia com informações sobre o Self-Service, ferramenta destinada a pequenas empresas para produção, desenvolvimento e gestão de ações de marketing online. Além disso, o material apresenta como empreendedores de diferentes segmentos obtiveram sucesso em suas campanhas.

 Com investimento que varia entre R$ 10 e R$ 10 mil, a plataforma possibilita configurar a campanha de forma personalizada e focada nos objetivos definidos. Assim, é possível segmentar a audiência e o público-alvo, com base em sua localização e áreas de interesse, definir o tempo de veiculação e até criar as peças publicitárias sem necessidade de uso de código de programação ou design.
A ferramenta veicula anúncios em blogs e sites da rede da Boo-box, além de seeding no Twitter. A opção oferece ainda um sistema de controle de visualizações e cliques às campanhas disponibilizadas, com relatório completo para monitoramento dos resultados. (Propmark)

 ... E SE APRESENTA
A publicidade segmentada na mídia online é muito mais precisa do que na mídia offline. A afirmação é de Marco Gomes, fundador da boo-box, empresa que conta com uma ad network de 370 mil sites, entre blogs e sites independentes, e que acaba de dar um upgrade na sua ferramenta de marketing digital de segmentação por geolocalização.

“É uma segmentação muito diferente da mídia offline. Na internet você faz anúncios em qualquer site para que a pessoa que está acessando seja da região onde você quer atingir. A segmentação é muito mais precisa”, afirma ele.

Segundo Gomes, com a nova tecnologia, a boo-box consegue exibir anúncios segmentados por região, com 40 quilômetros de precisão e 72% de acerto. “Como a maior parte das empresas tem a verba de publicidade divida por região, praticamente todas as campanhas da boo-box são segmentadas por localização de alguma maneira”.

O executivo conta que a rede de parceiros da boo-box alcança 80 milhões de pessoas por mês. “É necessária muita tecnologia para saber onde colocar cada propaganda, são 200 campanhas rodando simultaneamente. Toda vez que alguém acessa um desses sites, a gente escolhe uma das 200 campanhas para exibir a essa pessoa”, diz.

Obviamente, a boo-box também faz segmentação por perfil. “Como a gente acompanha a navegação de 80 milhões de usuários no país, a gente consegue detectar as suas preferências e gerar um perfil para cada pessoa”.

Gomes conta que a boo-box trabalha hoje com cerca de 1,5 mil anunciantes, entre pequenos, médios e grandes e exibe três bilhões de anúncios por mês. “Trabalhamos com todas as principais e grandes agências”, garante.

Com investimento da Monashees Capital e da Intel e 50 funcionários, a boo-box surgiu em 2007 e vem se destacando no mercado pela inovação – no ano passado, foi listada como uma das empresas de publicidade mais inovadoras no mundo pela revista norte-americana Fast Company. 

 A empresa já trabalha, por exemplo, com o conceito "Conversational media", em voga nos Estados Unidos. O conceito nada mais é do que inserir a propaganda de uma marca de maneira natural em um conteúdo livre.

 “É como se fosse um publieditorial, só que o publieditorial é feito e aprovado pelo anunciante. Já no 'conversational media' o publisher produz o conteúdo. É um conceito muito poderoso e relevante na publicidade online que a gente vai ver cada vez mais”, destaca.

O fundador da boo-box explica que a empresa está trabalhando com o conceito para a Natura, em campanha para a linha Mamãe e Bebê. “Selecionamos uma rede de blogs que falam sobre o tema e inserimos o selo de patrocínio da Natura nesses sites. Isso gera um resultado incrível para a marca. Tanto que a campanha durou três meses e agora vamos renovar com a Natura”, ressalta Gomes.

Outro case de destaque foi uma ação elaborada pela DM9DDB para o Terra no Twitter, onde a boo-box trabalha com perfis de 20 mil usuários. O desafio era fazer com que as pessoas assistissem ao show ao vivo do Paul McCartney no portal.

“O show foi transmitido pelo Terra Sonora em um domingo à noite, pior horário para fazer qualquer coisa na web. O desafio era fazer as pessoas pararem de assistir ao "Fantástico" e ver o show na web. A campanha foi um sucesso e levou mais de um milhão de pessoas para o Terra no momento do show”, recorda. (Propmark)

 WORKSHOP PARA JONALISTAS

(Zenit.org) - Segunda-feira a Arquidiocese de São Paulo, em parceria com a PUC-SP, oferecerá um workshop para jornalistas sobre as questões que envolvem a renúncia do papa Bento XVI e a escolha do novo pontífice, informou à ZENIT a assessoria de imprensa da Arquidiocese de São Paulo.

Jornalistas interessados em participar devem se credenciar antecipadamente pelo e-mailimprensacogeae@pucsp.br, fornecendo os seguintes dados: nome, veículo, telefones fixo e celular, e e-mail. Informações:  (11) 3670-8334.

O DESABAFO DE BOFF

O www.brasilalemanha.com.br divulgou esta declsração de Leonardo Boff. Por causa da importância dele e do momento que  a humanidade vive, reproduzo-a aqui.

Dei generosamente uma entrevista à Folha de São Paulo que quase não aproveitou nada do que disse e escrevi.Então publico a entrevista inteira aqui no blog para reflexão e discusão entre os interessados pelas coisas da Igreja Católica.As perguntas  foram reordenadas: Lboff

1.Como o Sr. recebeu a renúncia de Bento XVI?

R/ Eu desde o principio sentia muita pena dele, pois pelo que o conhecia, especialmente em sua timidez,  imaginava o esforço que devia fazer para saudar o povo, abraçar pessoas, beijar crianças. Eu tinha certeza de  que um dia ele, aproveitaria alguma ocasião sensata, como os limites fisicos de sua saúde e menor vigor mental para renunciar. Embora tenha se mostrado  um Papa autoritário, não era apegado ao cargo de Papa.

Eu fiquei aliviado porque a Igreja está sem liderança espiritual que suscite esperança e ânimo. Precisamos de um outro perfil de Papa mais pastor que professor, não um homem da instituição-Igreja mas um representante de Jesus que disse: “se alguém vem a mim eu não mandarei embora” (Evangelho de João 6,37), podia ser um homoafetivo, uma prostituta, um transsexual.

2. Como é a personalidade de Bento XVI já que o Sr. privou de certa amizade com ele?

R/ Conheci Bento XVI nos meus anos de estudo na Alemanha entre 1965-1970. Ouvi muitas conferências dele mas não fui aluno dele. Ele leu minha tese doutoral: O lugar da Igreja no mudo secularizado” e gostou muito a ponto de achar uma editora para publicá-la, um calhamaço de mais de 500 pp.

Depois trabalhamos juntos na revista internacional Concilium, cujos diretores se reuniam todos os anos na semana de Pentecostes em algum lugar na Europa. Eu a editava em portugues. Isso entre 1975-1980.

Enquanto os outros faziam sesta eu e ele passeávamos e conversávamos temas de teologia, sobre a fé na América Latina, especialmente sobre São Boaventura e Santo Agostinho, do quais é especialista e eu até hoje os frequento a miúde.

Depois em 1984 nos encontramos num momento conflitivo: ele como meu julgador no processo do ex-Santo Ofício, movido contra meu livro Igreja: carisma e poder” (Vozes 1981). Ai tive que sentar na cadeirinha onde Galileo Galilei e Giordano Bruno entre outros sentaram.

Submeteu-me a um tempo de “silêncio obsequioso”; tive que deixar a cátedra e proibido de publicar qualquer coisa. Depois disso nunca mais nos encontramos. Como pessoa é finíssimo, tímido e extremamente inteligente.

3. Ele como Cardeal foi o seu Inquisidor depois de ter sido seu amigo: como viu esta situação?

R/Quando foi nomeado Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé(ex-Inquisição) fiquei sumamente feliz. Pensava com meus botões: finalmente teremos um teólogo à frente de uma instituição com a pior fama que se possa imaginar.

Quinze dias após me respondeu, agradecendo e disse: vejo que há várias pendências suas aqui na Congregação e temos que resolvê-las logo. É que praticamentea cada livro que publicava vinham de Roma perguntas de esclarecimento que eu demorava em responder.

Nada vem de Roma sem antes de ter sido enviado a Roma. Havia aqui bispos conservadores e perseguidores de teólogos da libertação que enviavam as queixas de sua ignorância teológica a Roma a pretexto de que minha teologia poderia fazer mal aos fiéis.

Ai eu me dei  conta: ele já foi contaminado pelo bacilo romano que faz com que todos os que aitrabalham no Vaticano rapidamente encontram mil razões para serem moderados e até conservadores. Então sim fiquei mais que surpreso, verdadeiramente decepcionado.

4. Como o Sr. recebeu a punição do “silêncio obsequioso”?

R/ Após o interrogatório e a leitura de minha defesa escrita que está como adendo da nova edição de Igreja: charisma e poder (Record 2008) são 13 cardeais que opinam e decidem. Ratzinger é um apenas entre eles.

Depois  submetem a decisão ao Papa. Creio que ele foi voto vencido porque conhecia outros livros meus de teologia, traduzidos para alemão e me havia dito que tinha gostado deles, até, uma vez, diante do Papa numa audiência em Roma fez uma referência elogiosa.

Eu recebi o “silêncio obsequioso” como um cristão ligado à Igreja o faria: calmamente o acolhi. Lembro que disse: “é melhor caminhar com a Igreja que sozinho com minha teologia”.

Para mim foi relativamente fácil aceitar a imposição porque a Presidência da CNBB me havia sempre apoiado e dois Cardeais Dom Aloysio Lorscheider e Dom Paulo Evaristo Arns me acompanharam a Roma e depois participaram, numa segunda parte, do diálogo com o Card. Ratzinger e comigo.  Ai éramos três contra um.

Colocamos algumas vezes o Card Ratzinger em certo constrangimento pois os cardeais brasileiros lhe asseguravam que as críticas contra a teologia da libertação que ele fizera num document saido recentemente eram eco dos detratores e não uma análise objetiva. E pediram um novo documento positivo; ele acolheu a idéia e realmente o fez dois anos após. E até pediram a mim e ao meu irmão teólogo Clodovis que estava em Roma que escrevêssemos um esquema e o entregássemos na Sagrada Congregação.  E num dia e numa noite o fizemos e o entregamos.

5. O Sr deixou a Igreja em 1992. Guardou alguma mágoa de todo o affaire no Vaticano?

R/ Eu nunca deixei a Igreja. Deixei uma função dentro dela que é de padre. Continuei como teólogo e professor de teologia em várias cátedras aqui e fora do pais.

Quem entende a lógica de um sistema autoritário e fechado, que pouco se abre ao mundo, não cultiva o diálogo e a troca (os sistemas vivos vivem na medida em que se abrem e trocam) sabe que, se alguém, como eu, não se alinhar totalmente a tal sistema, será vigiado, controlado e eventualmente punido.

É semelhante aos regime de segurança nacional que temos conhecido na A.Latina sob os regimes militares no Brasil, na Argentina, no Chile e no Uruguai. Dentro desta lógica o então Presidente da Congregação da Doutrina da Fé (ex-Santo Oficio, ex-Inquisição), o Card. J. Ratzinger condenou, silenciou, depôs de cátedra ou transferiu mais de cem teólogos.

Do Brasil fomos dois: a teóloga Ivone Gebara e eu. Em razão de entender a referida lógica, e lamentá-la, sei que eles estão condenados  fazer o que fazem na maior das boas vontades. Mas como dizia Blaise Pascal:”Nunca se faz tão perfeitamente  o mal como quando se faz de boa vontade”.

Só que esta boa-vontade não é boa, pois cria vítimas. Não guardo nenhuma mágoa ou  ressentimento  pois exerci compaixão e misericórdia por aqueles que se movem dentro daquela lógica que, a meu ver, está a quilômetros luz da prática de Jesus. Aliás é coisa do século passado, já passado. E evito  voltar  a isso.

6. Como o Sr. avalia o pontificado de Bento XVI? Soube gerenciar as crises internas e externas da Igreja?

R/ Bento XVI foi um eminente teólogo mas um Papa frustrado. Não tinha o carisma de direção e de animação da comunidade, como  tinha João Paulo II.

Infelizmente ele será estigmatizado, de forma reducionista, como o Papa onde grassaram os pedófilos, onde os homoafetivos não tiveram reconhecimento e as mulheres foram humilhadas como nos USA negando o direito de cidadania a uma teologia feita a partir do gênero. E também entrará na história como o Papa que censurou pesadamente a Teologia da Libertação, interpretada à luz de seus detratores, e não à luz das práticas pastorais e libertadoras de bispos, padres, teólogos, religiosos/as e leigos que fizeram uma séria opção pelos pobres contra   a pobreza e a favor da vida e da liberdade.

Por esta causa justa e nobre foram incompreendidos por seus irmãos de fé,  e muitos deles presos, torturados e mortos pelos órgãos de segurança do Estado militar. Entre eles estavam bispos como Dom Angelelli da Argentina e Dom Oscar Romero de El Salvador. Dom Helder foi o mártir que não mataram.  

Mas a Igreja é maior que seus papas e ela continuará, entre sombras e luzes, a prestar um serviço à humanidade, no sentido de manter viva a memória de Jesus, de oferecer uma fonte possível de sentido de vida que vai para além desta vida. Hoje sabemos pelo Vatileaks que dentro da Cúria romana se trava uma feroz disputa de poder, especialmente entre o atual Secretário de Estado  Bertone e o ex-secretário Sodano já emérito. Ambos tem seus aliados.

Bertone, aproveitando as limitações do Papa, construiu praticamente um governo paralelo. Os escândalos de vazamento de documentos secretos da mesa do Papa  e do Banco do Vaticano, usado pelos milionários italianos,alguns da mafia, para lavar dinheiro  e mandá-lo para fora, abalaram muito o Papa.

Ele foi se isolando cada vez mais. Sua renúncia se deve aos limites da idade e das enfermidades mas agravadas por estas crises internas que o enfraqueceram e  que ele não soube ou não pode atalhar a tempo.

7. O Papa João XXIII disse que a Igreja não pode virar um museu mas uma casa com janelas e portas abertas. O Sr. acha que Bento XVI não tentou transfomar  a Igreja novamente em algo como um museu?

R/ Bento XVI é um nostálgico da síntese medieval. Ele reintroduziu o latim na missa, escolheu vestimentas de papas renascentistas e de outros tempos passados, manteve os hábitos  e os cerimoniais palacianos; para quem iria comungar, oferecia primeiro o anel papal para ser beijado e depois dava a hóstia, coisa que nunca mais se fazia.

Sua visão era restauracionista e saudosista de uma síntese entre cultura e fé que existe muito visível em sua terra natal, a Baviera, coisa que ele explicitamente comentava.

Quando na Universidade onde ele estudou e eu tambem, em Munique, viu um cartaz me anunciando como professor visitante para dar aulas sobre as novas fronteiras da teologia da libertação pediu o reitor que protelasse sine dia o convite já acertado.

Seus ídolos teológicos são Santo Agostinho e São Boaventura que mantiveram sempre uma desconfiança de tudo o que vinha do mundo, contaminado pelo pecado e necessitado de ser resgatado pela Igreja.

É uma das razões que explicam sua oposição à modernidade que a vê sob a ótica do secularism e do relativismo e for a do campo de influência do cristianismo que ajudou a formar a Europa.

8. A igreja vai mudar, em sua opinião, a doutrina sobre o uso de preservativos e em geral a moral sexual?

R/ A Igreja deverá manter as suas convicções, algumas que estima irrenunciáveis como a questão do aborto e da não manipulação da vida. Mas deveria renunciar ao status de exclusividade, como se fora a única portadora da verdade.

Ele deve se entender dentro do espaço democrático, no qual sua voz se faz ouvir junto com outras vozes. E as respeita e até se dispõe a aprender delas. E quando derrotada em seus pontos de vista, deveria oferecer sua experiência e tradição para melhorar onde puder melhorar e tornar mais leve o peso da existência.

No fundo ela precisa ser mais humana, humilde e ter mais fé, no sentido de não ter medo. O que se opõe à fé não é o ateismo, mas o medo. O medo paraliza e isola as pessoas das outras pessoas. A Igreja precisa caminhar junto com a humanidade, porque a humanidade é o verdadeiro Povo de Deus. Ela o mostra mais conscientemente mas não se apropria com exclusividade desta realidade.

9. O que um futuro Papa deveria fazer para evitar a emigração de tantos fiéis para outras igrejas, e especialmente pentecostais?

R/ Bento XVI freou a renovação da Igreja incentivada pelo Concílio Vaticano II. Ele não aceita que na Igreja haja rupturas. Assim que preferiu uma visão linear, reforçando a tradição.

Ocorre que a tradição a partir do seéculo XVIII e XIX se opôs a todas as conquistas modernas, da democracia, da liberdade religiosa e outros direitos.Ele tentou reduzir a Igreja a uma fortaleza contra estas modernidades. E via no Vaticano II  o cavalo de Tróia por onde elas poderiam entrar. Não negou o Vaticano II mas o interpretou à luz do Vaticano I que é todo centrado na figura do Papa com poder monárquico, absolutista e infalível.

Assim se produziu uma grande centralização de tudo em Roma sob a direção do Papa que, coitado, tem que dirigir uma população católica do tamano da China.Tal opção trouxe grande conflito na Igreja até entre inteiros episcopados como o alemão e frances e contaminou a atmosfera interna da Igreja com suspeitas, criação de grupos, emigração de muitos católicos da comunidade e acusações de relativismo e magistério paralelo.

Em outras palavras na Igreja não se vivia mais a fraternidade franca e aberta, um lar espiritual comum a todos.  O perfil do próximo Papa, no meu entender, não deveria ser o de um homem do poder e da instituição. Onde há poder inexiste amor e desaparece a misericórdia.

Deveria ser um pastor, próximo dos fiéis e de todos os seres humanos, pouco importa a sua situação moral, étnica e política. Deveria tomar como lema a frase de Jesus  que já citei anteriormente:”Se alguém vem a mim, eu não o mandarei embora”, pois acolhia a todos, desde uma prostituta como Madalena até um teólogo como Nicodemos.

Não deveria ser um homem do Ocidente que já é visto como um acidente na história. Mas um homem do vasto mundo globalizado sentindo a paixão dos sofredores e o grito da Terra devastada pela voracidade consumista. Não deveria ser um homem de certezas mas alguém que estimulasse a todos a buscarem os melhores caminhos.

Logicamente se orientaria pelo Evangelho mas sem espírito proselitista, com a consciência de que o Espírito chega sempre antes do missionário e o Verbo ilumina a todos que vem a este mundo, como diz o evangelista São João. Deveria ser um homem profundamente espiritual e aberto a todos os caminhos religiosos para juntos manterem viva a chama sagrada que existe em cada pessoa: a misteriosa presença de Deus.

E por fim, um homem de profunda bondade, no estilo do Papa João XXIII, com ternura para com os humildes e com firmeza profética para denunciar quem promove a exploração e faz da violência e da guerra instrumentos de dominação dos outros e do mundo. Que nas negociações que os cardeais fazem no conclave e nas tensões das tendências, prevaleça um nome com semelhante perfil. Como age o Espírito Santo ai é mistério.Ele não tem outra voz  e outra cabeça do que aquela dos cardeais.  Que o Espírito não lhes falte.
 

Continue lendo...